Ensino médio continua mal


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Um dos grandes problemas que o Brasil vive hoje, além de corrupção endêmica, fisiologismo de partidos políticos e falta de atenção dos governantes para a situação básica da maioria da população, é a educação, notadamente aquela sob a responsabilidade dos governos estaduais. O brasileiro é negligenciado também aí, já que depende da educação básica e do ensino médio a sequência dos estudos para quem pretende se tornar um profissional através do ensino superior ou profissionalizante. E os últimos números do setor, principalmente no Estado de São Paulo, deixam clara esta situação.
 
O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), que mede a qualidade do ensino nas escolas da rede estadual, caiu em 2013 no ensino médio -- depois de leve melhora no ano anterior -- e ficou estagnado no 9º e último ano do fundamental. As duas fases são consideradas grandes gargalos da educação pública. Nas primeiras séries do fundamental (1ª a 5ª), o índice manteve o ritmo de melhora dos últimos anos e voltou a subir.
 
Os dados foram obtidos com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo, depois que resultados das escolas vazaram no site da Secretaria de Estado da Educação. Após questionamento de professores que tiveram acesso às informações, a pasta retirou os dados do ar. A secretaria não confirmou os números, razão pela qual não comentou o desempenho da rede. O governo não tem data para divulgação oficial dos índices do Idesp.
 
Os piores resultados são do ensino médio, etapa em que o maior número de escolas é de responsabilidade da rede estadual. O índice caiu de 1,91, em 2012, para 1,83 no ano passado. Praticamente no mesmo patamar há pelo menos três anos, o índice havia subido em 2012 -- fato que foi comemorado pelo Estado e por especialistas em educação. A meta é que a nota no ensino médio chegue a 5 em 2030. Já no ciclo 2 do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o Idesp permaneceu em 2,50, mesmo nível obtido no ano anterior. A meta em longo prazo, para 2030, é alcançar nota 6 nessa etapa.
 
A boa notícia envolve os anos iniciais do ensino fundamental (1ª a 5ª séries). Segundo os dados do Idesp, o ciclo manteve o ritmo de crescimento registrado nos últimos anos Passou de 4,24, em 2012, para 4,42 em 2013 -- a meta é de 7, também até 2030. Apesar da melhora, a maioria dos alunos nesse nível de ensino está sob responsabilidade das prefeituras. No ciclo 2, boa parte já se encontra em escolas estaduais.
 
É uma condição que já apontamos em outras ocasiões. Não basta ter escolas, professores e profissionais de apoio em número suficiente para atender a demanda. A falta de valorização dos professores e dos servidores da educação é preponderante para os resultados que são registrados no setor. Enquanto não se buscar a melhoria do ensino como um todo, continuaremos a viver esta situação. O ensino público precisa ser tratado na medida de sua importância. É o que se espera. Do contrário, as notas continuarão baixas, podendo-se chegar a um ponto sem volta. E o Brasil continuará perdendo uma grande oportunidade de buscar o futuro glorioso com o qual sonha a maioria de seu povo.
 
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