Diante da situação atual, tornou-se inevitável que voltássemos a abordar a greve dos servidores municipais de Franca. A entrevista do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), anteontem, considerando o movimento de pequenas proporções e dizendo estar aberto à negociação, repercutiu mal. Ainda mais quando ele procurou ampliar a sua tática de jogar os servidores contra a população. Porém, a categoria ontem deu mostras de sua força, com mais de 1700 pessoas (segundo a Polícia Militar) marchando pelas ruas, a partir do Paço Municipal, depois de rejeitar a proposta do Executivo de um aumento de R$ 10 reais no vale alimentação, que subiria para R$ 210.
O Portal GCN registrou dezenas de comentários, praticamente todos em apoio à greve e contra a manifestação do prefeito (confira algumas delas na seção Cartas desta edição do Comércio). A principal reclamação da categoria que resolveu cruzar os braços procede: até agora, o prefeito se recusa a falar com os representantes dos servidores e envia assessores para resolver a questão. Sempre quando deveria delegar funções, o chefe do Executivo francano agiu de forma contrária. Agora, quando precisa ir à linha de frente, esconde-se atrás de secretários. Mais uma vez, demonstra carecer de postura de líder e conhecimentos políticos que permitam mostrar humildade e grandeza de espírito para reconhecer que está agindo errado nesta questão.
Usando argumentos pífios e repisando a ladainha de que a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) impede aumentos aos trabalhadores da Prefeitura, Alexandre Ferreira deixa patente que não tem condições e capacidade de negociar, de forma clara, com a categoria e o Sindicato que ataca. É preciso transigir, voltar atrás e reconhecer que a linha de atuação que adotou no caso da greve dos servidores é totalmente inadequada. Os grandes líderes políticos sempre buscam a contemporização. Ao perseguir o confronto, o prefeito deixa patente a sua pouca experiência como gestor público.
O Sindicato dos Servidores já deixou claro que defende uma negociação. O presidente da entidade, Fernando Nascimento, externou ontem, durante entrevista concedida ao vivo ao programa Hora da Verdade, da Rádio Difusora, a posição dos trabalhadores: um reajuste 2% maior, que poderia ser escalonado, atende aos interesses da categoria. Além disso, ele -- assim como vários servidores em mensagens enviadas ao Portal GCN e ao Comércio -- questiona a falta de isonomia com os servidores da Câmara Municipal que recebem vale-alimentação de R$ 400.
Ainda em sua entrevista, o prefeito Alexandre Ferreira mostrou certo despreparo quando não lia os dados preparados por sua assessoria. E nem citou as polêmicas recentes de sua administração, que têm sido usadas como combustível da paralisação: as grandes somas em dinheiro despendidas para o pagamento das horas-extras fraudulentas na saúde municipal, os gastos para desapropriar um prédio para estocar merenda escolar e os salários do grande número de comissionados. Para os grevistas, todo este dinheiro poderia estar sendo utilizado para valorizar os servidores municipais.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.