Alexandre Ferreira (PSDB) começou o mandato navegando em céu de brigadeiro na Câmara. Tinha 14 dos 15 vereadores - apenas o petista Márcio do Flórida fazia oposição - e aprovava o que bem entendesse. Quatorze meses e muitas trapalhadas depois, viu o blocão de apoio ruir. Entre os que pularam fora, estão Valéria Marson e Adérmis Marini, ambos do PSDB. O prefeito ficou a ver navios. No cenário atual, enfrenta dificuldades para aprovar até nome de rua. Ninguém aceita ser o seu líder. A debandada foi provocada pela dificuldade em conversar e pela resistência em atender reivindicações. Para tentar mudar o clima, o prefeito está apostando na formação de uma base já apelidada na Câmara de “turma do caminhão de terra”. A ideia é reunir um grupo de oito vereadores - número para aprovar a maioria dos projetos - e dar a eles tudo para amarrar o voto sim, independentemente, do que se propõe. Tudo, no caso, é atender pedidos como palco para quermesse, poda de árvore, tapa-buraco, braço de luz, banheiro químico para eventos, furar fila de cirurgia eletiva e, claro, não economizar nos caminhões de terra. Já foram, ou serão procurados, vereadores tidos pelo governo como mais fáceis de serem convencidos, como Laercinho (PP), Claudinei da Rocha (PP), Cordeiro (PSB), Pastor Otávio (PTB), Bahia (PTB), Donizete da Farmácia (PSDB), Zezinho Cabeleireiro (PPS) e Marco Garcia (PPS). Pelo plano, enquanto os amigos do prefeito serão atendidos sem cerimônia, dificuldades serão impostas aos inimigos - leia-se Adérmis, Valéria, Radaeli (PMDB), Vergara (PSB) e Márcio do Flórida. Pouco provável que os envolvidos admitam em público o acordão. De olho nas promessas de amor eterno, a maior parte dos vereadores já disse amém ao prefeito. O problema é que eles não consultaram os partidos pelos quais foram eleitos antes de tomarem a decisão de se amarrarem ao governo. O PSB e o PTB trabalham para provocar o divórcio no casamento que acaba de ser selado.
Pede para sair: Ubiali, que sugeriu o impeachment de Alexandre Ferreira em Brasília, anteontem, não admite que vereadores do PSB sejam cordeirinhos (entendeu?) do prefeito. O deputado avisou que se alguém aderir à turma do caminhão de terra será convidado a se retirar do partido e ficará sem legenda para disputar a reeleição.
Outro Pitta, não!: Sidnei Rocha tirou o pijama de aposentado, vestiu uniforme de bombeiro e foi apagar incêndios na Prefeitura, quinta-feira passada. Se trancou no gabinete com Alexandre e fez críticas à administração do afilhado político. Pediu para ele colocar os pés no chão e deixar a equipe trabalhar. Sidnei também vai conversar com os vereadores tucanos e orientar que parem de bater no governo. Experiente, o ex-prefeito sabe que as confusões de seu sucessor vão respingar nele. Se é que já não respingaram.
Paredão: A diretoria do PSDB aceitou pedido de abertura de processo contra Valéria Marson, feito por Jépy Pereira, e encaminhou as denúncias para serem apuradas pela comissão de ética. A vereadora é acusada de usar as redes sociais para criticar o prefeito e o presidente da Câmara, ambos de seu partido. Alexandre é o presidente do diretório. A expulsão é uma das punições previstas.
Caixa preta: A Prefeitura tem 287 servidores que ocupam cargos em comissão por indicação política. Do grupo, 203 são funcionários de carreira e 84 de fora. O maior salário, depois dos secretários que ganham R$ 6,6 mil, é dos coordenadores, R$ 5,6 mil. Das 27 coordenadorias, dez estão ocupadas.
Efeitos colaterais: O rei e a rainha foram parar no hospital por causa da greve dos seus súditos. Dor de barriga.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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