O terceiro dia de greve dos servidores municipais de Franca reuniu um número recorde de pessoas na porta da Prefeitura na manhã de ontem. Cerca de 1.700 manifestantes ocuparam as ruas ao redor do prédio do Executivo municipal, segundo a Polícia Militar. A quantidade de grevistas no período da tarde era menor, em torno de mil, porém o suficiente para interditar um quarteirão da rua Frederico Moura.
Muito barulho foi feito pelos grevistas que também expunham cartazes com pedidos de melhores salários e condições de trabalho, além de repudiar o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). “Fora Alexandre”, dizia um dos cartazes. “Não queremos governo que exerce tirania” eram os dizeres de outra placa. “Não tenho casa, não tenho teto, mas sem professor seremos analfabetos”, parafraseava outro cartaz. “Governo Alexandre é igual a baixos salários, opressão, ratos e baratas”, mostrava uma quarta placa.
Os grevistas caminharam até a praça Nossa Senhora da Conceição, onde o Sindicato dos Servidores Municipais lhes apresentou a nova proposta oferecida pela Prefeitura. A oferta elevava em R$ 10 o vale alimentação, que chegaria a R$ 210 e mantinha o reajuste salarial em 5,39%. Os manifestantes rejeitaram a proposta em unanimidade com vaias.
À tarde, os grevistas continuaram na porta da Prefeitura aguardando o fim de uma reunião, que teve início às 13h30, entre representantes dos trabalhadores e do Executivo. O presidente do Sindicato, Fernando Nascimento, anunciou, por volta das 15h30, que as partes ainda não haviam chegado a um acordo. “Eles não cederam em nada e mantiveram os 5,39% e R$ 210 de vale. Não aceitamos, e agora vamos aguardar uma nova proposta”, disse.
Em reunião na noite de ontem, a Prefeitura apresentou nova proposta ao Sindicato dos Servidores. A oferta aumenta o vale alimentação para R$ 220 e mantém o reajuste salarial de 5,39%, segundo o secretário municipal de Recursos Humanos, Humberto Mazza. O valor será votado em assembleia que deve acontecer hoje, às 9 horas, em frente à Prefeitura.
Revolta
Os grevistas se mostraram revoltados com a fala do prefeito, que afirmou na última terça-feira que o movimento era pequeno. “Pequeno é nosso salário. Pequena é a visão do prefeito sobre o nosso valor”, disse a enfermeira do Samu, Giovana Ferreira. “Esse é um movimento muito grande, nossa indignação é grande, nossa revolta é grande e temos que mostrar isso ao Alexandre”, disse o presidente do sindicato.
A professora Leandra Fernandes montou uma barraca em frete à Prefeitura. “Quero mostrar que não temos pressa. Vamos acampar até termos uma proposta decente”, disse. Outra professora, Tainá Vieira, foi à manifestação apoiar a classe dos docentes. “O que nós professores mais queremos é a valorização de nossa categoria.”
A técnica em enfermagem Fabiana Cristina Gaudino expunha um cartaz pedindo condições dignas de trabalho. “Estamos trabalhando em 30%, dentro da legalidade. Estamos aqui para reivindicar mais contratações, além das 30 horas de trabalho semanais, pois somos uma classe muito pressionada”, disse.
A assistente social Lucineia Coelho falou que sua classe reivindica mais que aumento salarial. “Queremos respeito, dignidade e melhores condições de trabalho. Onde eu fico tem dois computadores para 14 servidores, então precisamos de melhores condições”, disse.
Quando Nascimento questionou se representantes da Saúde, da Educação, da Emdef e do Paço Municipal estariam presentes à assembleia na praça central, os grevistas responderam aos gritos, mostrando que vários setores da Prefeitura estavam no ato. Os vereadores Luiz Vergara (PSB) e Márcio do Flórida (PT) também estavam presentes na manifestação.
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