Incêndio que se propaga


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Estamos comemorando vinte anos do Plano Real, que nos (re)colocou no rol das economias civilizadas em termos dos respectivos sistemas de preços. No começo dos anos 90, vivíamos os percalços de planos fracassados e de desilusões generalizadas trazidas por tentativas que não deram certo. Em 1994, o brasileiro aceitou a proposta do Governo, trocou de moeda e foi em frente no programa de estabilização, cuja novidade era a inexistência de congelamento de preços. O plano foi bem sucedido e, na esteira desse sucesso, FHC, o então Ministro da Fazenda foi eleito Presidente da República. Institucionalmente, o quadro foi aperfeiçoado com a aprovação da Lei Complementar nº 101, de 04/05/2000, a de Responsabilidade Fiscal, que colocou rigor e disciplina nas finanças públicas, sobretudo a dos municípios. A politica econômica foi ganhando aceitação, consistência e credibilidade, a ponto de permitir reunir condições para ombrearmo-nos com os países lideres da economia mundial e participarmos do chamado G-20.
 
Havia um problema, no entanto. As Autoridades teimavam em manter o câmbio fixo, que causou danos ao Plano com o surgimento de desequilíbrios no setor externo. Regularizada a questão cambial, poderíamos até ter aproveitado mais a bonança da economia internacional que reinou nos primeiros anos do novo século até 2008. Mas, como dizem os futebolistas, “fizemos o nosso melhor”.
 
Ao lado da desindustrialização, enfrentamos, atualmente, o problema da inflação. Apesar do estabelecimento das metas, nos últimos três anos o IPCA-Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado, superou-as, chegando a 6,50%, 5,84% e 5,91%, números perigosos, já que a inflação é como as chamas de um incêndio que se propagam com fúria cruel e devastadora. As donas-de-casa brasileiras confirmam: os preços estão subindo, subindo, subindo. Ao lado disso, a economia teima em ficar semi-estagnada (crescimento de 2,3% em 2013; de 1% em 2012). Combater a inflação, promover investimentos na formação de capital, fazer a economia deslanchar são as tarefas cruciais do momento. O que se faz com competência, tenacidade e espírito público. Não basta só manipular a taxa de juros.
 
Vicente P. Oliveira
Economista da FEA-USP
 

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