Servidores lotam a Câmara para barrar projeto do prefeito


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Como protesto, grevistas transformaram as grades do Paço Municipal em varal de sutiãs: ‘Temos peito, senhor prefeito’
Como protesto, grevistas transformaram as grades do Paço Municipal em varal de sutiãs: ‘Temos peito, senhor prefeito’
Enquanto os servidores continuam nas ruas protestando por melhores salários, Alexandre Ferreira (PSDB) tentou repetir, ontem, estratégia adotada há 15 dias e que já havia sido brecada pela Câmara. Ele encaminhou para o Legislativo projeto fixando em 5,39% o reajuste para os funcionários da Prefeitura. O plano consistia em reunir dez assinaturas favoráveis e votar a proposta em regime de urgência. Em caso de aprovação, as negociações com a categoria se encerrariam e a responsabilidade seria jogada para os vereadores. Faltou combinar com os parlamentares e o plano ruiu.
 
O projeto foi lido em plenário no período da manhã e assessores da Prefeitura consultaram vereadores aliados sobre a possibilidade de assinarem o pedido de urgência. O clima não era favorável e ninguém se dispôs a bancar a ideia. 
 
Na dúvida, e temendo que os vereadores pudessem mudar de opinião, um grupo de mais de 500 servidores foi à Câmara no período da tarde, quando são votados os projetos, e fez uma pressão jamais vista no plenário. O espaço reservado ao público ficou lotado. A rua diante da entrada principal precisou ser interditada por causa do volume de gente. “Vereadores, precisamos de salário digno. Esmola, não!”, dizia um cartaz. “Servidores unidos jamais serão vencidos”, gritavam os grevistas.
 
O presidente do sindicato, Fernando Nascimento, foi chamado à Mesa Diretora e pediu aos vereadores que não assinassem a urgência. “Esta proposta do prefeito já foi rejeitada em nossa assembléia. Não queremos este valor”. Os manifestantes também pediram que não fosse aprovado o projeto dobrando o salário do diretor-geral da câmara de R$ 3,1 mil para R$ 6.064,32. O valor inicial foi mantido.
 
Mais uma vez, nenhum vereador defendeu o prefeito e os servidores receberam o compromisso de que o projeto não seria levado à votação. “Não entrará em urgência. É mais uma vitória nossa. Se for preciso, vamos voltar aqui e por para quebrar”, completou o presidente do sindicato. 
 
A proposta obedecerá o trâmite normal, devendo ser votada na sessão da próxima terça-feira.
 
Pauta tranquila
Após ter a garantia de que o projeto não seria votado, os servidores deixaram a Câmara e retornaram para a sede da Prefeitura, onde o protesto está concentrado. A calmaria retornou ao plenário e a sessão seguiu sem discussões.
 
Os vereadores aprovaram o projeto substitutivo mantendo em R$ 3,1 mil o salário do diretor-geral. A intenção de Jépy Pereira (PSDB) é que Jerônimo Sérgio, servidor de carreira da Prefeitura, assuma o cargo. Também foi aprovada a proposta de autoria de Adérmis Marini (PSDB) que obriga ONGs, associações, cooperativas e entidades em geral que recebem dinheiro público a divulgarem suas prestações de contas na internet.
 
O projeto que implantava o orçamento impositivo na Câmara foi adiado por uma sessão.
 

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