O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) disse ontem que não deve fazer a desapropriação imediata do condomínio fechado Villagio da Colina, no bairro Esplanada Primo Meneghetti, para a ampliação da avenida Eliza Verzola Gosuen. O prolongamento passaria no meio do condomínio, dividindo-o em dois, e seguiria em linha reta abrindo a avenida ao lado da chácara onde ficam as casas do prefeito e de seus pais, e seguindo até a rotatória da avenida Jaime Telline, no Residencial Ana Dorothéa.
A Prefeitura já tem um estudo pronto sobre como deverá ser a obra. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Nicola Rossano, em entrevista publicada ontem no Comércio. O secretário ainda disse que a desapropriação do condomínio seria algo inevitável. “A cidade não pode parar de frente para um condomínio.”
Ainda segundo o secretário, o estudo teria sido feito a pedido de proprietários de glebas de terra existentes atrás do condomínio. Mas não informou que entre essas glebas está a chácara onde reside o prefeito.
Ontem, ao ser questionado durante a entrevista coletiva que concedeu para falar sobre a greve dos servidores, Alexandre Ferreira (PSDB) disse que a ampliação da avenida já estava prevista. “Isso está no Plano Diretor do Município há muito tempo. (A ampliação) é um processo normal”, disse.
Ele ainda garantiu que não tem interesse em desapropriar parte do Condomínio Villagio da Colina imediatamente para que a avenida possa ser ampliada. “Afirmar uma coisa dessas agora seria uma insanidade. O condomínio é uma discussão para depois, muito provavelmente eu nem estarei mais na Prefeitura como prefeito. Ainda é preciso ver muitas coisas, pensar se vale a pena brigar com o condomínio, quanto vai custar, como terá que ser feito.”
Questionado se, então, descartaria a possibilidade de pedir a desapropriação, o prefeito desconversou. “Não descarto nada. Apenas disse que não acontecerá imediatamente.”
O prefeito negou que tenha interesse pessoal na obra, uma vez que, com a ampliação, a avenida passará ao lado da chácara onde mora. “Isso não existe. Não tem cabimento alguém falar uma coisa dessas. Não há nenhum pedido protocolado para a criação de novos loteamentos. Não há nenhuma necessidade de se fazer essa desapropriação agora. Além disso, lá é uma APP (Área de Preservação Permanente) que precisa ter licença ambiental para mexer. Para mim, essa história de desapropriação é alguém querendo criar alguma coisinha para desviar o foco de cima dela.” Ao ser questionado sobre quem seria essa pessoa, o prefeito preferiu não revelar. “Investigue que você vai achar. Tem mais coisa por trás dessa história.”
Moradores
Na noite de segunda-feira, os moradores do Villagio da Colina se reuniram e formaram uma comissão para negociar com a Prefeitura e lutar contra a provável desapropriação. Ontem, a comissão emitiu uma nota na qual defende a não ampliação. “Não concordamos com a abertura da avenida, uma vez que adquirimos nossas casas pela segurança de um condomínio fechado, devidamente aprovado pela Prefeitura, através do Decreto 9.181/08, que prevê não somente a aprovação do condomínio como a urbanização desta área.”
Eles também citaram que o prolongamento da avenida poderia trazer impactos ambientais negativos. Agora o grupo aguarda alguma comunicação oficial por parte do município para adotar medidas legais para evitar a desapropriação.
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