Reportagem de Edson Arantes, Thamara Pimenta e Tarissa Esteves
Às sete horas da manhã de ontem, um pequeno grupo de servidores municipais em greve se reuniu em frente à Prefeitura de Franca. Em menos de duas horas, o movimento contava com 450 pessoas. Às 10 horas, quase 800 vozes se uniam para reivindicar 5% de aumento real de salário, reposição inflacionária de 5,39%, vale alimentação de R$ 400 e um posicionamento do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). “Não temos reunião agendada com o prefeito. Provavelmente ele quer ver se a greve vai ter adesão para depois se pronunciar. Estamos dispostos a negociar e, se ele nos chamar, vamos conversar”, disse o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Fernando Nascimento, ainda pela manhã.
Inicialmente, a administração havia proposto um reajuste de 4,97%, aumentado para 5,38% após pressão da categoria e corrigido para 5,39% - proposta rejeitada pelos grevistas. “O Sindicato representa todos os 4.883 servidores municipais, que há mais de dez anos não contam com aumento real de salário, somente reajustes inflacionários”, disse Nascimento.
Com apitos, narizes de palhaço, percussão e cartazes, a marcha deu a volta na Prefeitura e se fixou na entrada principal do prédio, paralisando a pista sentido Centro da avenida Presidente Vargas. Gritos com palavras de ordem e convocação do prefeito foram ouvidos ao longe. “Alexandre, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!” Ainda assim, nenhum representante da administração compareceu para dar resposta aos funcionários. Com a omissão, os ataques contra a pessoa do prefeito se intensificaram. “Arrogante!”, gritavam uns. “Como não tem dinheiro para aumentar o salário dos servidores, mas tem como pagar hora extra de R$ 13 mil aos médicos? É um absurdo!”, disse outro ao microfone de um carro de som.
Os cartazes também demonstravam a intensa insatisfação dos trabalhadores com a atual administração. “Saúde e Educação não são prioridade da gestão. Fora corrupção”; “Dom Alexandre, eu lhe desafio a sustentar sua família com o meu salário”; e “Prefeito mercenário, respeite o funcionário” são alguns dos exemplos.
Quando os ânimos pareciam ter se acalmado, todos os funcionários se deram as mãos fechando um círculo em torno da Prefeitura. Todos de costas. “Não é só salário! Reivindicamos um plano de carreira que não sai do papel. O prefeito está nos enrolando há um bom tempo com a promessa de implantação”, disse o professor Luciano Carlos Serra. “O prefeito age de forma autoritária e não nos atende. Ele não é aberto ao diálogo. A insatisfação culminou em greve por causa disso: ele não sabe ouvir”, completou seu colega de profissão Alcimar Souza.
Sutiã
Insatisfeito com supostas declarações do prefeito - que teria garantido aos pais de alunos que as aulas da rede municipal continuariam normalmente hoje, porque os servidores “não teriam peito” para manter a greve -, um grupo de professoras organizou um protesto à parte. Elas prometem transformar, hoje, as grades da Prefeitura em um varal para sutiãs. “É peito o que ele quer? Então tá!”, disse uma das manifestantes.
Durante o protesto, rumores de que as direções de diversas escolas paralisadas estariam pressionando seus funcionários a deixarem a greve chegaram ao Sindicato. “Pedimos aos grevistas que forem abordados, para conseguirem uma testemunha e anotarem o nome do diretor. Vamos entrar com uma ação de assédio moral se isso continuar”, disse Nascimento ao microfone.
Por volta das 12h30, uma barraca foi montada em frente à Prefeitura. “Virão mais. Vamos revezar e passar a noite aqui. Isso é para mostrar ao prefeito que nós podemos, sim, manter uma greve!”, disse outra manifestante, que preferiu não ter o nome divulgado.
Marcha
No período da tarde, mais funcionários se uniram ao movimento e as duas pistas da Presidente Vargas em frente à Prefeitura foram fechadas. Uma suposta reunião entre diretores de escola na Secretaria da Educação fez com que os grevistas marchassem do Paço até o Colégio Champagnat, sede da pasta, interrompendo o trânsito nas principais ruas do Centro. Durante o tempo em que permaneceram no local, gritaram palavras de ordem contra o prefeito, afirmando que supostas medidas repressivas que estariam sendo adotadas pela administração não irão coagir os funcionários, principalmente, os professores.
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