Greve começa com força


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O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) resolveu pagar para ver. Mas, tudo indica, não foi uma boa tacada. Sem qualquer trunfo nas mãos, esperava que os servidores municipais voltassem atrás e aceitassem um reajuste de pouco mais de 5%. Não aceitaram. Como sempre age, não quis escutar a categoria, não negociou com o sindicato e pretendia aprovar a fórceps o reajuste que imaginou ideal. Saiu derrotado, numa demonstração de que a categoria já não aceita a falta de respeito com que foi tratada e a desvalorização à qual vem sendo submetida há mais de uma década.
 
Na única vez em que falou sobre o assunto, o chefe do Executivo francano afirmou na semana passada que não havia qualquer possibilidade de greve. Nesse meio tempo surgiu o escândalo das horas extras no setor de saúde e o tucano fechou-se totalmente em copas. Seu estilo de gestor público, negando-se a delegar poderes ou compartilhar decisões, joga Franca em uma situação que pode descambar no caos. No primeiro dia da paralisação dos servidores, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ficaram fechadas e o atendimento seguiu a passos de tartaruga no Pronto-socorro Infantil e no PS Municipal, causando revolta e até o registro de Boletins de Ocorrência na Polícia Civil.
 
Se a intenção de Alexandre Ferreira era atirar os servidores municipais contra a população francana, pode até conseguir o seu intento, mas à custa de um alto preço. Este não deveria ser o propósito da administração municipal. A busca do entendimento e da contemporização é necessária e urgente, já que o movimento grevista está prejudicando aqueles que mais precisam em dois setores bastante sensíveis, como Saúde e Educação (escolas municipais e creches também não funcionaram ontem). Se o prefeito não se sentar e buscar a negociação, tudo o que ocorrer daqui para diante será inevitavelmente colocado na conta de Alexandre.
 
Ninguém pode dizer que a greve foi decidida intempestivamente pelos servidores municipais. Há quinze dias o Sindicato da categoria já havia informado, através de ofício, a decretação de um ‘estado de greve’. De lá para cá, houve tentativas de negociação, mas o prefeito se manteve irredutível. Não conversou, não negociou e muito menos recebeu representantes dos servidores. Limitou-se, na semana passada, a ampliar em quase nada a proposta de reajuste oferecida. E a greve foi inevitável.
 
Os servidores municipais não estão em busca apenas do reajuste salarial de 15%. Pedem ainda um aumento substancial no vale-refeição e a criação de um plano de carreira, o que já vem sendo cobrado há anos. Sem uma negociação entre as partes dificilmente será possível fechar um acordo. Enquanto isso, os problemas irão se avolumando até chegar a um nível insustentável. Franca não merece isso. O prefeito precisa reconhecer que seria de bom senso dar um passo atrás. Resolver as coisas de forma unilateral não vai dar um fechamento satisfatório à questão. Só uma discussão em torno do reajuste dos servidores será capaz de acabar com o impasse que pode parar de vez a administração municipal.
 
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