Petrobras no olho do furacão


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Utilizada como instrumento político assim que Luís Inácio Lula da Silva tomou posse há 13 anos, a Petrobras agora pode se tornar o calcanhar de Aquiles da presidente Dilma Rousseff, que pretende se reeleger no pleito de outubro próximo. A empresa, que já foi uma das maiores do mundo, ao longo dos anos vem perdendo seu valor. A página do jornal Financial Times na internet publicou reportagem na manhã de sexta-feira, 21, sobre a perda de valor de mercado das empresas de países emergentes. O texto destaca o tombo da Petrobras. Segundo a publicação, o valor de mercado da estatal brasileira despencou e a empresa, que já foi a 12ª maior do planeta, há cinco anos caiu para o 120º lugar atualmente.
 
Tudo isso decorre da administração que vem sendo impressa à estatal, ainda a maior do País, na tentativa de segurar a inflação à custa de prejuízos bilionários com a conta-petróleo. Para não aumentar os preços dos derivados ao consumidor, principalmente gasolina e diesel, a Petrobras arca com a conta, subsidiando informalmente o valor dos produtos na bomba, para compensar a diferença entre o que compra e o que vende. Agora se vê que a negociação para adquirir a refinaria de Pasadena (EUA) elevou ainda mais os prejuízos e a empresa vive uma situação difícil. Tudo isso pode respingar na administração federal, uma vez que Dilma era presidente do Conselho de Administração da estatal à época do negócio suspeito.
 
Não adianta ao PT, como está fazendo desde há alguns dias, acusar os oposicionistas de tentarem usar politicamente a Petrobras. Claro que todos, Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) à frente, colocarão os problemas da estatal sob os holofotes da campanha eleitoral. Afinal, o próprio PT fez isso nas duas eleições de Lula, acusando o PSDB de querer privatizar a empresa. Naquela época, a Petrobras era a 12ª maior estatal do mundo em valor de mercado e os tucanos sempre negaram a intenção. O problema, no Brasil, é que empresa estatal sempre é usada politicamente pelo governo de plantão. A privatização de várias delas no governo tucano permitiu que os prejuízos que explodiam nas contas públicas e os cabides de emprego fossem eliminados.
 
A Petrobras e a presidente Dilma ainda não deram uma resposta convincente para a denúncia que é grave sob todos os aspectos em que se a mire. Como o PT sempre gostou de gritar “a Petrobrás é nossa!”, sua responsabilidade é imensa nos caminhos trilhados. Por isso, não podemos aceitar que os desmandos, o uso político e as fraudes continuem prejudicando um patrimônio nacional. Ao tentar se defender com ataques e afirmações que já não são pertinentes, tanto o PT quanto o Planalto demonstram que a desvalorização da Petrobras deve ser trazida ao centro do debate, em pleno ano eleitoral. Afinal, os episódios que cercam a desvalorização da estatal desconstroem a capacidade gerencial da presidente Dilma Rousseff, um dos seus grandes trunfos. Espera-se que as investigações em torno da companhia não terminem como tantas outras levadas a efeito neste País. O caso tem que ser apurado e os seus responsáveis punidos, para impedir outras tentativas de solapar um patrimônio que é de todos os brasileiros.
 
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