Pelo menos dois terços da população mundial urbana moram em cidades com acentuados níveis de desigualdade social. Os contrastes escancaram de forma crescente desde a década de 1980 na proporção em que a gestão das cidades se torna igualmente mais complexa e desafiadora para os governos e a sociedade. Esse será o tema da sétima edição do Fórum Urbano Mundial (ONU-Habitat), que será realizado em Medellín, na Colômbia. O encontro vai discutir como as diferenças sociais se refletem nos espaços urbanos, inclusive em relação à realidade das cidades divididas por muros invisíveis, os quais acabam acentuando a exclusão social, cultural e econômica entre a população. O Fórum Urbano Mundial é um encontro técnico convocado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos. É realizado numa cidade diferente a cada dois anos e o objetivo é examinar as questões mais urgentes que o mundo enfrenta hoje em relação à rápida urbanização e seu impacto nas cidades, comunidades, clima, economia e políticas públicas.
O Fórum Urbano Mundial debaterá, entre outros temas, a equidade no direito do desenvolvimento urbano; arquitetura e planejamento urbano para a coesão social; serviços básicos e o comércio local para cidades equitativas; instrumentos inovadores de finanças para os municípios; aumentar o nível de resiliência urbana; e cidades seguras, justas e equitativas. Mais de 150 países, representados por 10 mil participantes, estarão presentes de 5 a 14 de abril. Um debate que interessa a gestores públicos das cidades do Interior Paulista, que enfrentam desafios comuns à maioria das cidades do planeta em função da globalização da economia, disseminação de informações via internet e intercâmbios cada vez mais frequentes entre as populações de todo o mundo.
O Fórum anterior foi realizado em Nápoles, na Itália. Na ocasião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo aos líderes de todo o mundo para seguir as pegadas da conferência Rio+20, defendendo uma aproximação integrada das cidades sustentáveis de modo a auxiliar as autoridades locais e envolver o público na tomada de decisões.
O diretor executivo da ONU-Habitat, Joan Clos, lembrou na ocasião a importância do planejamento urbano nos próximos 20 anos para que o mundo possa gerenciar bem o crescimento habitacional. A população global alcançou um ponto onde 50% estão nas cidades e nas duas décadas seguintes esse índice atingirá 70%. “O mundo enfrenta hoje muitos desafios, incluindo crises ambientais e financeiras. Outro desafio é o novo aumento da pobreza em áreas urbanas do mundo, tanto em países desenvolvidos como nos em desenvolvimento”, disse.
Em artigo publicado no Estadão de sexta-feira, intitulado “As cidades, a população e o nosso futuro comum”, o jornalista Washington Novaes apresenta números e argumentos convincentes sobre a necessidade de se refletir sobre o futuro de nossas cidades. Os dados atingem em cheio o panorama vivido pelas cidades médias do Interior Paulista. Novaes lembra que o noticiário anda sobrecarregado de informações sobre os grandes dramas urbanos — falta de mobilidade, transportes precários, inundações e violência — e a ausência de perspectiva de soluções, com o número de habitantes crescendo. O Brasil já tem 85% da população nas cidades, só 15% nas zonas rurais. E continua o processo de migração campo-cidade, o que é uma tendência mundial. Onde vamos chegar?
O planeta chegou a 7,2 bilhões de pessoas atualmente e a projeção, segundo a ONU, é de 9 bilhões em 2050 e de 11 bilhões em 2100, cerca de 50% a mais do que temos hoje. Ao prever esse patamar, a ONU espera um crescimento muito mais lento da população nas próximas décadas do que em décadas passadas.
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.