O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), em pouco mais de 14 meses de administração, conseguiu eclipsar qualquer fato positivo que possa ter patrocinado. Depois da história mal explicada (até hoje) do acordo assinado com a São José na surdina, ocorreram outros episódios que serviram para derrubar espetacularmente a aprovação popular do chefe do Executivo francano. Tudo isso colocava em evidência a capacidade administrativa do prefeito, um servidor de carreira, eminentemente técnico, sem qualquer traquejo político. Porém, agora, Alexandre Ferreira precisará rebolar muito para conseguir afastar de si a suspeita de corrupção.
De acordo com reportagem do Comércio em sua edição de ontem, um relatório do Ministério do Trabalho é o ponto de partida de uma investigação do Ministério Público Estadual sobre a existência de um esquema de megapagamentos a médicos da Rede Municipal de Saúde. Há profissionais que tiveram seus salários turbinados em até cinco vezes com o pagamento de horas extras. Um médico, cujo salário é de R$ 3.282,83, chegou a receber R$ 16.360,40 em horas extras. A denúncia foi feita pela Procuradoria da República.
Os auditores trabalharam durante um mês na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Aeroporto I 24 horas e no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Tiveram acesso a todos os livros-pontos, contratos de trabalho e holerites relativos aos meses de junho, julho e agosto do ano passado. A conclusão foi um relatório repleto de narrativas de irregularidades e a descrição de um esquema de beneficiamento dos médicos. Segundo os auditores, os médicos das duas unidades estão recebendo a título de horas extras quantias equivalentes a mais de 400% do valor de seus salários.
O esquema pode estar funcionando desde 2006, tendo como origem um decreto municipal baixado pelo ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB). O Ministério Público, em seu relatório, aponta para uma ‘indústria de horas extras’ e para vários outros ilícitos que colocam sob suspeita uma área tão cara ao atual prefeito, a qual ele dirigiu por cerca de seis anos (até 2011). Mais uma vez, o prefeito se cala e a nota de esclarecimento oficial não explica e nem justifica tal irregularidade. Nã se tem notícia, na história de Franca, pelo menos a recente, de escândalo de tal dimensão, com fraude tão escandalosa que, não fosse uma investigação de rotina do Ministério do Trabalho, continuaria beneficiando alguns poucos à custa do dinheiro do contribuinte.
São tão graves as constatações da investigação que o seguimento dos trabalhos ficou com o Ministério Público Estadual com base em denúncia da Procuradoria da República. O que se pergunta, agora, é se as fraudes ficam circunscritas apenas às duas unidades citadas ou teriam se disseminado por toda a rede municipal de saúde, o período em que ocorreu e o montante que foi desviado. Só assim é que poderemos ter uma verdadeira dimensão desta fraude e quem ser responsabilizará por isso. É um escândalo que deixa a cidade de boca aberta e o prefeito totalmente encalacrado, sem muitas chances de se sair bem, por causa da gravidade dos fatos levantados.
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