Bálsamo


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Quando o sono apagou a lâmpada do meu quarto, a janela continuou aberta, as cortinas continuaram descerradas.  Liberdade tamanha permitiu que a brisa e o calor disputassem espaço lá no décimo andar.
 
Uma dorzinha no lado esquerdo do peito – sua ausência, como sempre – acordou-me. O relógio marcava duas horas e meia.
 
Espantado, olhei para a janela, deparei-me com a lua cheia devastando os recantos do meu quarto. Ela estava redondinha, branca, muito branca – comprimido vagando na imensidão do céu.
 
Não tive dúvidas.
 
Fechei os olhos, abri o coração, ingeri aquele bálsamo que se dissolveu no meu mundo dorido interior.
 
Voltei a dormir. 
 
E sonhei com você.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 

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