Recebi hoje um presente. Um jogo de xícaras tão bonito!
Ela sabia que eu estava sem e que ia receber um amigo querido para tomar café e disse:
_Janaína ,você não tem xícaras? Não pode isso!
Como sempre ela providenciou com o mesmo carinho que cuida do nosso templo, há doze anos conosco, nossa terapeuta e organizadora do lar: Diva.
Ela ouve mais do que fala, tem olhos verdes melados e é uma mulher muito bonita, o pai previu certo ao botar-lhe esse nome. Mulata de um metro e setenta e oito de pura sensatez e assertividade. Diva falou, a água parou, por que ela não é de falar.
Conhece todos os meus amigos e amores, sabe onde está cada peça de roupa que eu visto e prepara a casa para me dar equilíbrio.
_Em ambiente sujo não se vive! Diz ela sempre que vê algo fora do lugar.
E Diva limpa, cuida da casa e de nós.
Minha mãe conta sempre uma história engraçada sobre o fim do mundo. Disse ela que em meados da virada do milênio, quando o povo todo dizia que de mil passará, mas a dois mil não chegará, nós desesperadas em oração/tensão de quem não duvida do pior, e ela vira e diz:
_ Quer saber, se o mundo acabar eu vou é lá pra Guapé onde eu nasci , quero sentar na beirada do rio e botar meus pezinhos na água , abrir minha latinha de cerveja e esperar porque se for acabar mesmo, não há nada a fazer.
Vai responder o quê? Diva é Diva! E quando ela fala a gente escuta, por que ela não é de falar!
Ajudou a enterrar pessoas tão queridas... Foi minha amiga, mãe e psicóloga – porque santo de casa não faz milagres. Hoje a vejo como uma guru da simplicidade e do papo reto. Nossa cuidadora, nossa amiga, esse é para você. Obrigada, você tem dado um show de profissionalismo e generosidade.
Janaina Leão, psicóloga
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