Funcionários dizem que prática se repete nos Prontos-socorros


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A auditoria feita pelo Ministério do Trabalho envolveu apenas duas unidades da Rede Municipal de Saúde: a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Aeroporto e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Mas depoimentos de servidores indicam que o esquema de supersalários pagos aos médicos pode não ser exclusividade do Aeroporto e do Samu. 
 
O Comércio ouviu sete profissionais de outras duas unidades: Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e Pronto-socorro Infantil. Eles narram exatamente as mesmas práticas. “A Prefeitura deixa os médicos fazerem o que querem. Aqui nenhum cumpre horário. Até os plantões noturnos eles combinam entre si e fazem rodízio de médicos. Isso tudo com a conivência dos diretores. Ficam umas três, quatro horas, vão embora e recebem pelas 12 horas”, narra uma enfermeira do “Álvaro Azzuz” com mais de 15 anos de serviços prestados à Prefeitura.
 
Ela também fala sobre os plantões de PA (Pronto Atendimento), criados pela Prefeitura. “Os médicos são escalados para vir aqui atender os casos mais simples, que não têm urgência, que eles chamam de ‘limpar demanda’. Deveriam ficar entre quatro e seis horas, mas atendem 80 pacientes em uma hora ou um pouco mais e vão embora. Depois os pacientes ficam esperando chegar o próximo médico da escala para serem atendidos.” 
 
Segundo a enfermeira, mesmo não cumprindo toda a jornada, os profissionais recebem pelo plantão completo com adicional. “Se não for assim, eles dizem que não vêm.”
 
No Pronto-socorro Infantil, os relatos não são diferentes. Lá, os dois funcionários ouvidos dizem que também funciona o esquema da cota numérica de pacientes. “Os médicos vêm, atendem, mas não cumprem jornada. São os únicos (funcionários da unidade) que não usam a biometria. O serviço deles é por número de pacientes atendidos e não por tempo trabalhado. Acho engraçado porque, dos enfermeiros, a Prefeitura cobrou a carga inteira, dos médicos não”, disse uma enfermeira que trabalha na unidade há mais de cinco anos.
 
Os funcionários pediram para não ser identificados com medo de represálias.
 

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