‘Fatalidade são as pessoas que cuidam da Saúde em Franca estarem no cargo’


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Márcia Prieto voltou a se emocionar ontem, ao falar sobre a morte da filha, aos vereadores da CEI
Márcia Prieto voltou a se emocionar ontem, ao falar sobre a morte da filha, aos vereadores da CEI
As declarações de Silson Ribeiro e Márcia Prieto deram início ontem à fase de depoimentos da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Saúde. Eles são os pais de Luara Prieto, que morreu após ir oito vezes ao Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e passar por duas cirurgias na Santa Casa. A Comissão foi aberta pela Câmara Municipal para apurar as recentes mortes suspeitas que ocorreram depois de pacientes terem sido atendidos pela Rede Pública de Saúde, além das condições de atendimento no Pronto-Socorro Infantil.
 
Os vereadores Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), que compõem a CEI, iniciaram os trabalhos fazendo perguntas ao pai de Luara. Silson disse que a filha era saudável e que até hoje não sabe por que ela morreu. Ele reclamou da divergência de diagnósticos dos médicos que, a cada consulta, trocavam o medicamento da filha. “Também não entendo por que só internaram ela depois de ter ido oito vezes ao pronto-socorro. Até o último momento, eles diziam que ela estava bem, mas só davam respostas vagas quando perguntávamos o que ela tinha”, disse.
 
O pai da jovem comentou que procurou a Ouvidoria da Santa Casa duas vezes, uma antes de Luara morrer para reclamar do atendimento do hospital, e outra depois, em busca de respostas. “Minha filha morreu por negligência. Estou aqui hoje para que isso não aconteça com outras pessoas”, disse Silson.
 
Depois, foi a vez de Márcia falar. Ela relatou que estava com a filha as oito vezes que Luara esteve no “Álvaro Azzuz”, mas que nunca a deixaram acompanhá-la nas consultas. “Depois de idas-e-vindas no PS, Luara estava atordoada e não sabia me dizer o que o médico tinha falado. Mas nunca deixavam eu entrar”, disse a mãe. “Da última vez que fomos ao pronto-socorro, ela entrou par o consultório e eu só fui ter notícia dela quando já estava indo para a Santa Casa de ambulância”, completou.
 
Questionada pelos vereadores se Luara não tinha feito um ultrassom para obter diagnóstico de sua infecção, a mãe da paciente disse que o médico até pediu, mas a Secretaria de Saúde autorizou o exame ser feito só na semana seguinte, e Luara acabou internada antes de fazê-lo. 
 
Márcia se emocionou quando contava sobre o descaso com que a filha foi atendida. “Eles não davam respostas, só faziam ‘cara de paisagem’. Não parecia que eu estava falando com um médico, parecia que eu falava com alguém que entende de medicina como eu, ou seja, nada”, revoltou-se.
 
A mãe de Luara voltou a se referir à entrevista dada pela secretária de Saúde, Rosane Moscardini, em que classificou as mortes na rede pública como “fatalidades”. “Fatalidade são as pessoas que cuidam da saúde em Franca estarem no cargo em que estão”, afirmou Márcia.
 
A reunião, que começou às 18 horas, durou cerca de uma hora e meia. Os próximos encontros da CEI irão acontecer terça e quinta-feira da semana que vem.
 
Ações do Cremesp
O Cremesp (Conselho Regional de Medicina) vai oferecer cursos aos médicos que atendem em setores de urgência e emergência de Franca. A iniciativa faz parte de um grupo de ações que o Conselho irá promover na cidade. Dentre as medidas do Cremesp, estão ainda implantação de protocolos de atendimento nos prontos-socorros para diagnósticos e tratamentos, além da continuidade das fiscalizações nas unidades de saúde.
 
Segundo o conselheiro responsável pela delegacia de Franca do Cremesp, Lavínio Nilton Camarim, as ações pretendem “melhorar o atendimento ao público, visando preservar a boa prática médica, com o intuito de atender melhor os pacientes e resgatar a confiança da sociedade”.
 
Os cursos terão o tema Alerta Ético e Jurídico. As aulas serão voltadas aos médicos que atendem no setor de urgência e emergência dos prontos-socorros e da Santa Casa. Camarim não informou se a participação dos médicos nos cursos será obrigatória.
 
As ações foram definidas em duas reuniões com a Secretaria de Saúde e representantes da Santa Casa, do PS “Álvaro Azzuz” e do PS Infantil. Segundo Camarim, o encontro foi movido pelas mortes suspeitas ocorridas após atendimento na Santa Casa e no “Álvaro Azzuz” e pela denúncia feita com exclusividade pelo Comércio da Franca relatando a presença de pragas no PS Infantil e no NGA (Núcleo de Gestão de Atendimento).

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