A Câmara Municipal é uma bomba-relógio prestes a explodir. Servidores se dividem em grupos e atacam uns aos outros. Os novos funcionários receberam ordens para não se misturarem com os veteranos para não serem “contaminados”. Ações judiciais pipocam in-
ternamente. O clima de guerra se instalou no plenário e atingiu vereadores. Não é forçação de barra dizer que poderão sair no tapa a qualquer momento. Ou ter um ataque cardíaco. Jépy Pereira (PSDB) que o diga. Terça-feira, o presidente abandonou a sessão em andamento. Desta vez, ele não tinha nenhuma viagem marcada para Cuba. Foi excesso de nervosismo. O mal-estar não foi provocado por causa da pressão feita pelos servidores do município durante as discussões do projeto de reajuste salarial da categoria. Jépy quase enfartou ao receber cópia de carta anônima encaminhada a todos os vereadores e à imprensa por um remetente anônimo, pedindo para eles tomarem providência contra Valéria Marson (PSDB) sob pena de serem chamados de “frouxo ou de bundões”. “Ela faz e desfaz na Câmara e todo mundo tem medo dela”, diz parte do texto. A carta traz cópias de postagens supostamente feitas por Valéria em uma rede social, com críticas ao prefeito e, principalmente, ao presidente. “Descobri o verdadeiro Jépy. Canalha, desonesto, sem caráter, enfim, não vale a água do batismo”. Jépy ficou nervoso ao ler o material. Saiu às pressas do plenário prometendo tomar providências. Foi aconselhado a ir para casa até se acalmar. Acabou parando no hospital. Foi medicado e ficou algumas horas em observação. Sua pressão arterial estava em 19/12. “Fiquei muito chateado, magoado. Ela extrapolou os limites”. Valéria Marson negou a autoria das postagens e se diz vítima de uma armação. “Não escrevi isso. Deve ter sido montado. Estou muito preocupada e vou registrar um BO na polícia.” O marido da vereadora chegou a ser chamado para ir até a Câmara para protegê-la, caso fosse preciso.
Tem que votar assim!: Não foi o único entrevero do dia. Adérmis Marini (PSDB) e Edvaldo Costa, assessor do prefeito, também discutiram asperamente diante de assessores, políticos e jornalistas. Dois vereadores da base governista estão irritados como a maneira ríspida com que são abordados pelo assessor e disseram para quem quisesse ouvir no plenário que vão pedir sua cabeça a Alexandre Ferreira (PSDB).
Câncer: Mesmo contra a vontade do prefeito, entrou em vigor anteontem lei municipal que concede isenção de IPTU para imóveis pertencentes a portadores de câncer em tratamento ou em estado terminal. Basta o interessado protocolar requerimento na Prefeitura solicitando o benefício. O projeto foi aprovado pela Câmara, em novembro, e vetado por Alexandre Ferreira. Há uma semana, os vereadores derrubaram o veto e a lei foi promulgada por Jépy Pereira. O prefeito pode recorrer. Há decisões do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a legitimidade do vereador atuar em matéria tributária.
Café com política: O PSB realizará evento sábado, às 10 horas, na Câmara, para receber novas filiações, lançar a campanha do agasalho e discutir o planejamento para as eleições. Ubiali tentará a reeleição para federal e Vergara articula para sair a estadual.
Reforço: Daniel da Silva, o Xangai, que assessorava Donizete da Farmácia (PSDB) na Câmara, é o mais novo integrante do time de Roberto Engler (PSDB). Cuidará das atividades ligadas ao esporte.
Belém, belém...: Até tu? Laercinho (PP), que faz juras de amor e se refere ao prefeito como “Xandão”, ficou de mal de Alexandre e prometeu não ser mais “bobo”.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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