Quebra-quebra, e agressões: violência explode na Fundação Casa


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Foto de arquivo mostra internos se dirigindo a uma das salas da Fundação Casa de Franca: unidade de internação possui 64 vagas
Foto de arquivo mostra internos se dirigindo a uma das salas da Fundação Casa de Franca: unidade de internação possui 64 vagas
Facção criminosa atuando dentro de seus muros; funcionários ameaçados de morte; investigação da Corregedoria que pode culminar no afastamento de 15 funcionários; transferência de um suposto líder criminoso juvenil para outra unidade; quebra-quebra, agressões e ameaças. Esses são alguns dos relatos de violência e abuso enfrentados por funcionários e adolescentes da Fundação Casa de Franca (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente “Arcebispo Dom Hélder Câmara”) que o Comércio vem recebendo nos últimos dias de fontes de dentro da unidade, que pedem anonimato e sigilo por medo, até, de serem mortas. A insegurança é justificável. Apenas nos últimos 15 dias, cinco Boletins de Ocorrência foram registrados na Polícia Civil denunciando atos de violência na Fundação.
 
As acusações chegaram à reportagem por mais de uma fonte, que apontam responsáveis distintos para uma mesma situação: a qualquer momento, uma rebelião pode explodir na Fundação Casa de Franca. O sindicato dos funcionários, inclusive, preferiu não se pronunciar oficialmente, mas informou que uma diligência virá à cidade nesta sexta-feira para avaliar a situação. “Essas denúncias são sérias”, disse o diretor de imprensa, João Flausino. “Tenho 20 anos de Fundação Casa e não acredito no envolvimento dos trabalhadores com a facção, mas tudo é possível. Tem um diretor indo a Franca na próxima sexta-feira e ele vai apurar tudo isso”, completou.
 
Segundo uma das fontes, agentes da Fundação seriam responsáveis por monitorar e exercer castigos sobre os internos a mando de uma facção criminosa. Após serem subjugados, os jovens não teriam chance de regeneração, já que o caminho de volta ao crime seria “certo”, devido ao suposto monitoramento sobre suas rotinas. 
 
Por outro lado, uma terceira fonte afirma que os internos provocam situações violentas a mando da tal facção. “Na última semana, um dos internos ameaçou furar os olhos de um agente após xingar um professor e a coordenadora pedagógica durante a aula”, disse. “O fato é que ninguém denuncia. A diretora não diz nada por medo e por saber que, se a unidade for mal avaliada, ela acaba sendo transferida para outra cidade.” 
 
A diretora da unidade de internação, Eloaine de Souza, se disse impedida de falar sem o aval da assessoria de imprensa, que impediu a entrevista.
 
Ainda segundo uma das fontes, haveria pessoas ligadas à unidade de Franca, ameaçadas de morte, sendo monitoradas 24 horas por dia.
 
Nos registros feitos na Polícia Civil, há denúncias de quebra-quebra, ameaças e agressão (leia texto nesta página). A polícia registra as ocorrências e as encaminha à Justiça, a quem cabe tomar as providências envolvendo adolescentes.
 
‘Situações pontuais’
A assessoria de imprensa da Fundação Casa negou, via e-mail, que a situação na unidade de Franca esteja a ponto de explodir. Classificou os casos de violência como “situações pontuais” causados por “atos de indisciplina de alguns jovens”. “Todos os atos estão sendo investigados pela Corregedoria em sindicância. Como a investigação está em andamento, não é possível divulgar nenhuma informação.” Negou também a atuação de facção criminosa dentro da unidade.
 
Ainda na nota, a assessoria ressalta que a Fundação “repudia qualquer tipo de violência”.
 
colaborou Barros Filho

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