Valorização é necessária


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Os funcionários da Prefeitura Municipal de Franca decretaram, há uma semana, “estado de greve”. Ou seja: os trabalhadores estão preparados para cruzar os braços caso não tenham suas reivindicações atendidas. A principal delas é o reajuste salarial que recomponha as perdas da inflação, como praticamente todas as categorias têm conseguido nos últimos anos. Os servidores pedem um aumento salarial de 15%, além de cartão alimentação, plano de carreira, mais vagas nas creches. Reclamam os funcionários que nos últimos anos a defasagem atinge os salários de toda a categoria, uma vez que os reajustes não foram capazes de repor as perdas inflacionárias.
 
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) oferece 4,97% de aumento. Ele alega que seria impossível conceder 15% de reajuste nos salários por causa da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). A lei com a proposta de reajuste da Prefeitura mais uma vez teve a discussão adiada pela Câmara Municipal. Os vereadores preferiram esperar o desenrolar das negociações, que seguem a passo de tartaruga por causa das dificuldades que surgem para reunir prefeito e sindicato. Enquanto isso, os vereadores Márcio do Flórida (PT) e Luiz Vergara (PSB) protocolaram proposta de emenda à lei do reajuste, pedindo aumento de 6,38%. Os dois garantem que um aumento salarial neste patamar não causaria conflito com a LRF. 
 
Os servidores têm encontrado muita dificuldade em negociar com o prefeito Alexandre Ferreira. Desde o início, a questão foi conduzida de forma completamente equivocada -- e isso não é surpresa quando se trata do chefe do Executivo francano. A proposta foi apresentada sem que antes o Executivo ouvisse os servidores e agora fica refém da decisão da categoria. Caso os servidores cruzem os braços de vez, a população de Franca será inapelavelmente prejudicada.
 
Por isso se estranha a entrevista coletiva do prefeito, onde ele diz que os trabalhadores da Prefeitura não têm “justificativa para fazer greve”. E mais adiante afirma que não existe problema entre a Prefeitura e a categoria. Alexandre Ferreira deve estar usando óculos com lentes cor de rosa que lhe mostram uma cidade das maravilhas que só ele vê. Caso haja uma greve, serviços essenciais podem ser prejudicados. Quem depende da Prefeitura para resolver questões pessoais vai ficar a ver navios.
 
Nesta situação de impasse transparece que o prefeito ainda não entendeu que precisa ouvir todas as partes envolvidas antes de tomar qualquer decisão. É isso que deve mover um gestor público em regime democrático. Alexandre Ferreira comete erro atrás de erro, caminhando celeremente para um engessamento de sua administração, porque agora já não consegue nem o apoio daqueles que eram seus aliados no início do mandato.
 
 Os servidores públicos municipais têm razão de reclamar da falta de valorização. E o próprio sindicato mostra um amadurecimento ao insistir na negociação, sem radicalismos e intransigências. O prefeito precisa demonstrar capacidade de reconhecer seus erros, capitular e buscar uma composição. Para o bem de toda a cidade.
 
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