Pombos continuam fazendo de lar o prédio que abriga o Pronto-socorro Infantil e o NGA (Núcleo de Gestão Assistencial), duas semanas após denúncia publicada com exclusividade pelo Comércio, relatando que o local está infestado de pragas.
Segundo funcionários do local disseram ontem à reportagem, a tubulação de esgoto do local foi limpa, as instalações foram dedetizadas e a parte interna do prédio está sendo pintada. Mas, os trabalhadores reclamam que as medidas não solucionaram os problemas, serviriam apenas para “maquiar” a precariedade do lugar. “Melhorou um pouco, mas continua sujo. Ainda encontramos barata, mas menos, porque dedetizou. O problema é que o veneno dura só algumas semanas e depois os bichos voltam. Sempre foi assim. Na verdade, nada está sendo feito para melhorar, mas sim para camuflar”, disse uma funcionária que pediu para não ter o nome divulgado. “Eles só pintaram e limparam os bueiros, não fizeram mais nada. Continua tudo do mesmo jeito”, afirmou outro trabalhador que pediu para manter sua identidade em sigilo.
No dia 5 de março, um dia após o Comércio publicar reportagem sobre a presença de bichos no PSI e no NGA, a Prefeitura encaminhou nota à imprensa dizendo que “a Divisão de Manutenção, da Secretaria de Saúde, deverá iniciar, imediatamente, reparos preventivos na unidade”.
Questionada na tarde de ontem sobre o andamento dos reparos no complexo, a assessoria não deu nenhuma resposta até o fechamento desta edição.
Denúncia
No último dia 4, o Comércio publicou documentos relatando a presença de animais peçonhentos ou transmissores de doenças no prédio do PSI. Funcionários e usuários do complexo também relataram a convivência com pombos, baratas e até ratos e escorpiões.
Um dos documentos é o ofício enviado pelo diretor de Prontos-socorros de Franca, Ricardo Veríssimo Júnior, à secretária de Saúde, Rosane Moscardini, com data de 14 de janeiro, cujo teor descreve que no local havia “odor fétido causado por fezes de pombos; pombos mortos no forro em processo de putrefação; baratas e vermes; escorrimento de água pútrida do forro para o interior do prédio”. Veríssimo alertava, no ofício, para o risco “iminente” de transmissão de doenças por conta da presença dos pombos.
No documento, o diretor pedia estudo para a interdição do espaço e a transferência do PS Infantil para outro lugar “por não haver mais condições sanitárias apropriadas para prestação de serviço em saúde naquele local”.
Rosane respondeu Ricardo Veríssimo quase um mês depois, culpando os restos de alimentos das lanchonetes da região pela presença dos pombos. A secretária dizia ainda que a reforma do complexo estava em estudo.
Posteriormente, no dia 15 de fevereiro, 28 funcionários do PSI fizeram abaixo-assinado relatando os mesmo problemas descritos por Veríssimo, além de alertarem para o risco de infecção cruzada e a “constante” ocorrência de roubos.
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