Desindustrialização


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Criar empregos e manter os preços sob controle era uma salutar preocupação do Governo. Para se tornar realidade, o setor industrial necessita de crédito, baixo custo de transporte, simplificação do processo burocrático de liberação e, principalmente, de inovações e ganhos de produtividade. Isto sem falar em marcas e em canais (próprios) de comercialização. Os fatores mais importantes, nesse contexto, são as inovações e o conseqüente aumento de produtividade. Aumentar as exportações de manufaturados, criar empregos e, a partir daí, estabelecer as condições para o desenvolvimento econômico e social, são objetivos que devem estar assentados na promoção das inovações, seja em relação ao produto, ao processo produtivo, às formas do marketing ou, ainda, às técnicas de gestão.
 
Estamos vivenciando um processo de desindustrialização: a participação do setor no PIB diminui e as exportações perdem a dinâmica. O país fechou 2013 com crescimento de 2,3%, segundo o IBGE. A indústria, por outro lado, apresentou um avanço de 1,3% e teve a menor participação no PIB desde 2000. A fatia do setor na produção de riquezas caiu de 26% em 2012 para 24,9% em 2013. Já os serviços aumentaram sua influência, saindo de 68,7% em 2012 para 69,4% para 2013, a maior fatia alcançada pela atividade no PIB desde 2000. As empresas nacionais têm dificuldades para manter centros ou departamentos de “pesquisa & desenvolvimento”, fonte das inovações tão necessárias. Vivemos de soluções vindas de fora ou, então, vamos na onda da aculturação.
 
Segundo o “Relatório Global de Competitividade” o Brasil ocupa a 56ª. posição na inovação tecnológica no mundo, entre os 148 países que compõem a lista. A mobilização dos institutos oficiais de pesquisa e a firme articulação com a empresa nacional, podem modificar essa situação. Não se trata de reinventar a roda, mas de adotar medidas para evitar “perder” um setor estratégico.
 
Vicente P. Oliveira
Economista da FEA-USP

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