Assassina ou suicida?


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Semana passada fomos informados de um crime de homicídio praticado por uma mulher tendo como vítima outra mulher (idosa). Segundo a imprensa a homicida matou a vítima por tê-la confundida com outra que durante um “ritual” a teria “torturado” com agulhas. Dias antes do homicídio a homicida teria elaborado boletim de ocorrência de estupro tendo como autor o seu atual namorado. O namorado, segundo a imprensa, jamais a estuprou e trata-se de uma acusação infundada e motivada pelo rompimento do namoro por ter descoberto que ela ainda residia juntamente com o seu marido. O marido sabida do relacionamento, mas como não matinha mais qualquer relação com a mulher, não se importava. A homicida confessou o crime e a confissão causou perplexidade e diversas indignações. Muito se tem falado sobre a autora do homicídio, mas, não sobre a perspectiva doravante apresentada.
 
Vivemos em um mundo cercado por normas que são elementos disciplinadores e reguladores das relações sociais. Diante desse ato homicida proponho algumas perguntas: Qual é o inimigo interior que se pretende eliminar através desse ato e qual destino terá sobre o sujeito a subjetivação desse crime? A palavra “assassinato” decorre de “assassino” e provém de um vocábulo árabe “hachichim” nome dos membros de uma seita religiosa de fumadores de haxixe que, ao ingressar na seita, faziam votos de matar a quem o chefe mandasse. Em Totem e Tabu, Freud apresenta um caso no qual os irmãos matam o pai tirânico que conserva todas as mulheres para si. Com a morte do pai, ao invés de terem as mulheres, sucumbem ao impacto da obediência retroativa, decorrente do retorno do amor oculto atrás do ódio. É uma ambivalência. Será que o ato criminoso não é efeito de uma consciência de culpa que o procede? A prática do crime não é a busca de um castigo, de uma punição, ou seja, a razão do crime? É inegável que o ato criminoso é praticado por desejo inconsciente, culpa e inconsciente. Será que a homicida sabe o que disse (confissão) se ela nem sabe o que é? Alguns crimes são, na verdade, suicídio camuflado, já dizia Freud. Será esse o caso em questão?
 
Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário
 

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