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Uma dona de casa de 56 anos foi detida na semana passada no Jardim Planalto. Ela confessou às autoridades do 3º Distrito Policial e da Vigilância Sanitária que mantinha um consultório médico clandestino, que realizava consultas e receitava medicamentos com finalidade terapêutica até a pacientes que ela dizia que estava com câncer. A falsa médica cobrava pela consulta e ainda vendia os remédios diretos de uma farmácia também clandestina que mantinha em casa. Ela estaria atendendo há aproximadamente um ano.
 
Entre os medicamentos apreendidos na residência estavam reguladores menstruais, calmantes, anti-inflamatórios, reumáticos; para circulação, próstata; antialérgicos, energéticos, antidepressivos, expectorantes, chás e própolis. A dona de casa foi indiciada e liberada para responder ao processo em liberdade, por não ter sido flagrada atendendo pacientes ou vendendo medicamentos.
 
A notícia é preocupante, pois ainda não se sabe a dimensão que o atendimento irregular possa ter atingido. Ainda mais quando remédios foram ‘prescritos’ e ingeridos. Embora fossem fitoterápicos (obtidos das plantas) ou homeopáticos (de menor poder ofensivo), podem ter causado mais danos do que bem. O fato revela os perigos que correm os ingênuos e todos aqueles que, talvez desesperançados, recorreram à falsa profissional em busca de alívio a seus males.
 
Diante de uma Saúde Pública onde a burocracia e o descaso obrigam pacientes com doenças graves a longos períodos de espera por atendimento médico na rede (ambulatórios ou hospitais), elementos como esta dona de casa encontram terreno fértil para enganar, com graves consequências para os que a procuram. Relatos de pacientes de diversos postos de atendimento espalhados pelos bairros de Franca (Nubes) apontam para a dificuldade em se agendar consultas com médicos de qualquer especialidade. O mínimo que se espera para ser examinado por um especialista são 40 dias. Há casos em que a demora supera os dois meses. Muita gente não consegue -- e não pode -- esperar e acaba caindo nas garras de charlatões.
 
Uma medicação errada pode causar muitos danos e com reflexos ao longo do tempo, dependendo da dose e do uso contínuo. Por isso, a formação de um profissional de Medicina precisa de pelo menos seis anos, além do período gasto em especialização e residência médica. A legislação brasileira é bastante rigorosa nestes casos, chegando a sentenças de até dez anos de prisão por exercício ilegal da Medicina. 
 
Brincar com a saúde é coisa séria. Preservar a própria integridade é necessário. Por isso, buscar ajuda de profissionais conhecidos, da rede pública ou particular, é a atitude mais correta. Procurar conhecer as credenciais dos que nos atendem, não só médicos mas também outros profissionais cuja capacidade depende de uma formação específica, como advogados e farmacêuticos, torna-se primordial para que se evitem os golpistas, os malandros que podem colocar em risco a sanidade dos incautos que os procuram.
 
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