2015: ano da ressaca eleitoral


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Que o brasileiro prepare o bolso e a calculadora: no ano que vem, certamente, todos os preços administrados ou controlados pelo governo irão subir. Taxas, tarifas e impostos, todos receberão reajustes, a começar pelos combustíveis, passando pela energia elétrica até chegar a alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) e IR (Imposto de Renda). No meio do caminho, transporte público e serviços. Com isso, certamente a inflação será pressionada e vai influir ainda em aumentos na alimentação, vestuário e moradia. Ou seja: 2015 terá mesmo uma indigesta ressaca eleitoral, principalmente se for confirmada a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
 
Desde o ano passado o governo tenta manter a imagem de controle inflacionário e de gastos. Por isso, anunciou uma redução no preço da energia elétrica ao consumidor -- o que vai perder todo o efeito até o ano que vem, como se verá mais abaixo -- e a manutenção do preço de derivados de petróleo, à custa de prejuízos imensos para a Petrobras. Isso sem falar na “contabilidade criativa” que mantém as contas do Tesouro em patamar aceitável por causa de manobras da equipe econômica que vêm recebendo múltiplas críticas de especialistas. Tudo “maquiagem” que, mais dia menos dia, terá que ser desfeita e vai refletir com certeza nos índices inflacionários e de juros. O contribuinte (e consumidor) brasileiro precisa ficar atento às falsas ilusões que as ações da equipe econômica trazem. Um exemplo: a ajuda que o governo está concedendo para as distribuidoras de energia vai pesar no bolso do consumidor.
 
Segundo cálculos de consultores e analistas do setor de energia, se o governo fizesse o reajuste neste ano, de uma só vez, as tarifas aumentariam, em média, mais de 20%. Além de pesar diretamente no orçamento doméstico, o aumento teria um impacto sobre a inflação de 0,56 ponto porcentual. O aumento da energia, sozinho, elevaria a inflação do ano para a casa de 6,56% -- ou seja, acima da meta de 6,5%. Os cálculos levam em consideração uma premissa: cada bilhão de gasto no setor de energia equivale hoje a cerca de 1% de reajuste na conta de luz. O analista da J. Safra Corretora, Sérgio Tamashiro, estima que cada R$ 1 bilhão de perdas representa 1,1% de elevação na conta de luz. Como, do ano passado pra cá, a conta já soma R$ 21 bilhões, a alta chegaria a 23% nas tarifas de energia, sem considerar o reajuste de inflação.
 
O governo decidiu que só vai repassar os gastos para a conta de luz em 2015, depois da eleição, e ainda não dimensionou quanto isso vai custar para o consumidor, muito menos o impacto sobre a inflação. Ou seja: a área econômica do Planalto está fazendo o possível para manter os números positivos de olho nas urnas, protelando reajustes necessários para que o aumento inevitável da inflação não cause impacto nas urnas em outubro. Caso haja agora, o governo federal dará munição a seus adversários que alertam para o perigo inflacionário iminente. Ao empurrar decisões necessárias para 2015, estará apenas adiando o problema. Mas aí, para os aliados, a eleição já terá passado e virão mais quatro anos, tempo suficiente para uma correção de rumo.
 
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