A palavra “crise” parece não fazer parte do vocabulário de um seleto grupo de empresários de Franca. Para eles o mercado se mostra efervescente. Tanto que o clã vem movimentando gordas negociações de compra e venda de aeronaves. Para se ter uma pequena noção, recentemente, um industrial do ramo dos calçados vendeu um helicóptero Robinson R-44 pela bagatela de US$ 500 mil, cerca de R$ 1,2 milhão, e recebeu o valor à vista. O dono dessa bolada, que teve o nome preservado pelo advogado Paulo de Tarso Careta, também de Franca e especialista em Direito Aeronáutico, está agora à procura de um novo brinquedinho voador para comprar, provavelmente um avião a jato ou turbo hélice. Um fazendeiro de Franca também ajudou a aumentar a frota aérea de Franca: comprou há alguns meses um Baron 58, avião bimotor de R$ 900 mil.
Esses dois negócios não são isolados. Desde 2005, quando Careta fez seu primeiro trabalho no ramo aeronáutico, já foram 12 negociações; quatro em Franca. Atualmente Careta intermedia três compras de aviões em Franca, São José do Rio Preto e até em Cuiabá (MS).
A fatia desse mercado de compra e venda de aviões e helicópteros tem crescido tanto que Careta, antes “apenas” advogado empresarial, se especializou em Direito Aeronáutico. Vidrado em aviação desde sempre, ele conseguiu uma maneira de unir a paixão profissional (o direito) ao hobby (os aviões), quando foi consultado por um cliente, em 2005. Na época, um cliente lhe pediu ajuda para um contrato para compra de uma aeronave. “Quando aceitei não sabia que tipo de contrato era e, de repente, estava analisando a compra de um avião. Tinha a segurança que o Direito Civil proporciona e que já conhecia, mas percebi que esse tipo de negócio não se resumia apenas a um contrato, por isso fui me especializar.”
O que Careta quer dizer é que o profissional que auxilia nesse tipo de negócio precisa prestar assessoria não apenas contratual, mas sobre outros aspectos, como a regularidade da aeronave, autorizações que ela precisa ter, registros, possíveis pendências da aeronave e do vendedor e se já teve algum sinistro que possa atrapalhar um voo. O advogado precisa ainda consultar órgãos específicos como a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro).
Na hora de escolher a aeronave, segundo Paulo, é preciso levar em consideração o perfil do usuário, o tipo de viagem que se deseja fazer, quantas pessoas vai transportar e onde vai pousar com ela. Segundo ele, se for em uma pista simples, de uma fazenda, de terra, por exemplo, não pode ser um avião a jato. O mais indicado é um bimotor. A distância que vai ser percorrida também é importante, pois há uma grande diferença entre a autonomia de um helicóptero e de um avião e nem sempre, durante uma viagem, há locais disponíveis para reabastecimento. Enquanto o primeiro consegue voar três horas direto, o segundo voa cerca de quatro horas e meia.
A média de preço de uma aviação simples é de R$ 500 mil e alguns bancos oferecem financiamento para aeronaves em até 25 anos. Segundo Careta, empresários têm ainda comprado aeronaves em sociedade. Compram juntos e dividem as despesas fixas. Cada um voa um número de dias na semana. “Em Franca não conheço casos assim, mas em São Paulo isso já é comum”, afirmou.
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