O limite da pesca


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Assisti a um vídeo sobre o impacto humano sobre os oceanos e suas populações e podemos ver, claramente, que alguns espécimes são inviáveis
Assisti a um vídeo sobre o impacto humano sobre os oceanos e suas populações e podemos ver, claramente, que alguns espécimes são inviáveis
A pesca, o peixe, o pescador são, há muito, matéria prima da poesia. O embate homem, mar e peixe bateu redes além mar e encantou até aqueles que preferem o seco. Penso que não é só a dificuldade da atividade que encanta, os carvoeiros, por exemplo, as têm em dobro e não encantam - é a magia. Existe o mundo dos homens e o mundo dos peixes - e existem alguns poucos exemplares torrados por sol e mar que se aventuram nos dois mundos. Vão, confiando em alguns pés de comprimento, equilibrando-se na fina tensão aquática, surrupiar seres delicados para ganharem a vida.
 
A pesca, para quem não pesca, é poesia pura, parece não caber maldade num coração pescador. Em sã consciência sabemos que não é assim. De modo que, diante dos tristes fatos, vemos desaparecendo a pesca tal qual foi concebida, assim como vemos florescer a piscicultura. Não quero fazer juízo de valor, a piscicultura tem seu valor e problemas.
 
Chegamos, enfim, a todos os lugares, conseguimos, antes de conhecer, antes do saber, buscar o peixe em cada canto de mar e oceano, a ponto de, hoje, não existir mais nenhum estoque virgem de pesca, além de 32% desses estoques já estarem saturados. Vamos cada vez mais fundo, cada vez mais longe. A isso damos o nome de esforço de pesca que é cada dia mais tecnológico, e mais distante. Por isso, o peixe é cada dia mais caro.
 
Assisti a um vídeo elaborado no Centro de Cultura Culinária Câmara Cascudo, onde vários membros interessados na pesca discutiam o impacto humano sobre os oceanos e suas populações e podemos ver, claramente, que alguns espécimes são inviáveis. Tomemos como exemplo o atum, parece simples para o oceano gerar um peixe como o atum, mas não é. Para se ter um quilo de carne de atum, o oceano precisa lhe fornecer 10 mil quilos de fitoplancto! Para trazê-lo para a terra precisa-se de um barco específico, o longline. Esses barcos permanecem de 20 a 25 dias em alto mar, equipamentos tecnológicos rastreiam os cardumes, consome-se nessa investida 30 mil litros de óleo diesel, 10 toneladas de gelo e 5 mil reais em rancho - que é a comida dos pescadores-, resultado: custos de 50 a 70 mil reais! E às vezes eles voltam sem o atum...
 
No caso do camarão - o caro, tenro e delicado-, a sua captura é ingrata e de um impacto doloroso. A rede de arrasto, que é a utilizada para a sua captura, traz junto dos camarões um mar de coisas indesejáveis que representam de 80% a 90% do total. Ou seja, a cada vez que a rede é içada quase 90% do peso é rejeito que volta morto para o oceano. Gente, isso deveria ser inaceitável... 
 
Assistindo ao vídeo, somando-se ao que já sabemos, ao preço dos peixes, ao fato de se tratar de reservas esgotáveis, vê-se que o mar não está para peixe. O boom da pesca se deu nos anos 80, de lá pra cá o declínio, justamente agora que cresce o consumo per capita, impulsionado pelos restaurantes japoneses. Bom para a piscicultura, que nadar de braçada...
 
 
DICA DA SEMANA
 
Peixe
 
Temos o mau hábito de não misturarmos o peixe a nada. Acho que pelo fato de consumirmos pouco peixe não aprendemos muito bem o que fazer com ele. Preconceito bobo. Hoje em dia estão mais comuns as receitas que misturam peixe e carne de porco, linguiça, etc.
 
Uma excelente maneira de se fazer bem esse blend é numa torta bem simples de se fazer.
 
Caso você tenha bastante restos de peixe, atum em lata ou pontas de salmão, espalhe-as num refratário, junte linguiça e legumes, tudo picado do mesmo tamanho. Em seguida, faça um bom molho bechamel e cubra tudo. Coloque por cima uma mistura meio a meio de queijo parmesão ralado e miolo de pão francês seco, também ralado. Enfim, não tem como não gostar.

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