A pouco mais de seis meses das eleições proporcionais de outubro, as redes sociais, especialmente o Facebook, foram tomadas por posts com viés partidário, principalmente opondo aqueles que são considerados os dois principais protagonistas da disputa pela presidência da República: Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Recentemente, a Justiça Eleitoral exigiu que páginas dedicadas ao pré-candidato Eduardo Campos (PSB) e ao tucano fossem deletadas da Internet (a propaganda eleitoral, por qualquer meio, só será permitida a partir do dia 6 de julho). Porém, quem acompanha as redes sociais tem encontrado postagens defendendo este ou aquele candidato.
Enquanto o PT conta com uma rede bastante extensa de colaboradores, o PSDB tenta rebater afirmações do governo através de uma página no Facebook de onde partem posts para membros cadastrados. O Partido dos Trabalhadores, que já se mostrou eficiente em usar a Internet a favor de seus candidatos e governantes da legenda, recebe auxílio de filiados, sejam eles donos de mandatos ou não. Até vereadores do partido em Franca replicam qualquer postagem que parte dos coordenadores petistas em mídias sociais. Já o Partido da Social Democracia Brasileira tenta fazer frente à avalanche dos adversários, em maior número e mais eficientes neste tipo de função.
E assim a campanha segue bastante acirrada: a cada acusação dos petistas, os tucanos rebatem e acrescentam a informação. E os partidários de Dilma não ficam atrás, apresentando números, versões e informações favoráveis à presidente, candidata declarada à reeleição. Como fica mais difícil controlar os posts que se sucedem em velocidade vertiginosa no Facebook, a Justiça Eleitoral ainda não encontrou uma fórmula para coibir esta campanha aberta e cheia de lances -- alguns deles que ninguém admitiria na propaganda eleitoral gratuita, pela torpeza.
Assim, pela primeira vez, a Internet passa a ter uma importância fundamental para o pleito deste ano. Por causa do grande número de jovens que usam redes sociais, candidatos (a partir de julho, com certeza de todos os níveis) passarão a dar maior atenção ao meio, relativamente novo e ainda pouco explorado por quem pretende se eleger deputado. A utilização da rede mundial de computadores, que é acessada por quase metade da população brasileira, deverá ser mais importante do que a própria propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.
O palanque eletrônico deverá substituir os comícios que, com a proibição de shows, perderam totalmente sua importância. As últimas eleições proporcionais (prefeito e vereadores) já demonstraram que ninguém mais sai de casa para ouvir as propostas de um candidato, ao contrário do que por décadas foi praxe do eleitor brasileiro. A facilidade de informações que a TV e a Internet proporcionam vai mudar totalmente a forma de se fazer campanha neste ano. O que se espera, porém, é que o eleitor se prepare, busque conhecer o seu candidato e use o seu voto com seriedade. É o mínimo que se espera de quem tenha senso de cidadania.
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