A Prefeitura de Franca encaminhou ontem uma contraproposta às reivindicações salariais do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Uma reunião entre o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e os sindicalistas estava marcada para o início da noite de sexta-feira, mas não aconteceu. Um aviso foi encaminhado à imprensa convidando para o encontro, mas o cancelamento do mesmo não foi informado. De acordo com o presidente do Sindicato, Fernando Nascimento, a contraproposta foi encaminhada através de um ofício, “nos cedendo nada”.
“A reunião ficou marcada e não aconteceu. Parece que o prefeito viajou, chegou agora à noite, assinou o documento e mandou buscar. Ofereceram novamente os 4,97% de reajuste. É uma enrolação. Falam que concordam com algumas coisas, mas não colocaram valores nem datas”, disse Nascimento.
Uma assembleia dos servidores, marcada para as 9h30 de hoje no Teatro Judas Iscariotes, irá definir os rumos da campanha salarial e até mesmo uma possível paralisação dos servidores.
Manobra frustrada
As negociações tiveram início na terça-feira, 11, após o sindicato tomar conhecimento de que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) tentaria passar um Projeto de Lei pela Câmara, em caráter de urgência, para a concessão de 4,97% de reajuste salarial aos servidores, sem discussão prévia com a categoria que reivindica 15%.
Nascimento se adiantou, foi à sessão e, na tribuna, classificou o prefeito como “arbitrário”. Ele pediu aos vereadores que não apreciassem o projeto naquele dia. Os parlamentares concordaram.
Na quarta-feira, 12, os vereadores Nirley de Souza (DEM) e Luiz Carlos Vergara (PSB) foram impedidos de participar da segunda reunião entre Prefeitura e sindicato. No mesmo dia, Vergara e Márcio do Flórida (PT) apresentaram uma emenda ao Projeto de Lei do Executivo para acrescentar mais 1,41% na revisão geral anual - além dos 3,97% oferecidos pelo prefeito. Segundo Flórida, “o índice oficial para a correção dos salários é o INPC/IBGE, criado oficial para orientar reajustes salariais dos trabalhadores”, mas Alexandre usou um índice menor, o IPC/Fipe.
A matéria deverá ser apreciada pelos vereadores na sessão desta terça-feira.
Reivindicações
A campanha salarial de 2014 tem na pauta de reivindicações 32 cláusulas. Além do aumento de 15% (sendo 9,74% de reajuste salarial e 5,26% de reposição inflacionária, medida pelo INPC/IBGE), a categoria pede redução da jornada de trabalho para 30 horas, o cumprimento da lei que concede faltas abonadas, um cartão alimentação, elaboração de plano de carreira, entre outras.
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