Cinco anos de Cinema & Psicanálise


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O anfiteatro do Centro Médico de Franca quase sempre lota nas sessões do evento Cinema & Psicanálise, com público variado: em faixa etária, nas diferentes profissões dos espectadores. A conversa é sempre rica e boa. 
 
Hoje, dia 15 de março, às 15h, teremos o filme Basquiat: traços de uma vida; o diretor é Julian Schnabel (de “O Escafandro e a Borboleta”), pintor neo-expressionista, que também escreveu o roteiro. Comentários do artista plástico, que vai nos ajudar a “ler” a arte de Basquiat – o professor Dante Velloni, e sua mulher, psicanalista da SBPRP E SBPSP - Mércia Fagundes. 
 
Jean-Michel Basquiat (1960-1988) grafitou prédios abandonados, nas ruas de Nova York, assinando Samo. Influenciou vários pintores contemporâneos; hoje é considerado neo-expressionista. Destaco uma cena do filme em que Jean-Michel Basquiat, o “Samo”, com a convicção de quem sabe o ofício, se apresenta para Andy Warhol, artista pop famosíssimo. Andy estava em um restaurante, com seu marchand. Basquiat o aborda, com toscos esboços de seu trabalho, e lhe pergunta se quer comprar algum por US$5,00. Andy, admirado, compra.  
 
Que força tem a convicção no que se faz, para que portas se abram...
 
Basquiat foi disputado pelos marchands e suas obras são vendidas, hoje, por preços exorbitantes. Mas a genialidade tem seu preço, e a loucura também. Genialidade-Loucura-Arte: questão das grandes.  
 
Alguém comentou comigo que andamos repetindo os temas no evento sabatino mensal. Mas, as grandes questões humanas versam sobre quatro grandes pilares: nascimento, sexualidade, envelhecimento e morte.   
 
O artista estira e retesa esses temas - na obra – com o eivo de paixão, loucura, ódio, medo; movido pelas emoções recorrentes, universais. As variações são fundamentais, como no jazz: como lidar com o luto, com as separações, traições, conflitos, com o prazer, com a inveja e o ciúme. Como administrar as compulsões, eróticas ou sádicas, mortíferas. É um perigo viver, o artista bem sabe disso, e vive correndo riscos. 
 
Mira & López escreveu Quatro Gigantes da Alma:  Medo, Ira, Amor e Dever (1949). Ganhei do amigo William Wanderley Jorge, procurador de Justiça, que o recomendou, com o entusiasmo que lhe era característico (como ele faz e fará falta!).  
 
Há gigantes na alma, difíceis de serem domados, e nem sempre o são. A redundância dos temas gigantes revela a medida do trabalho psíquico que movimenta a Arte e a Psicanálise, ligadas à Vida em sua turbulenta trajetória. Um constante esforço na travessia infinita: humano a se tornar humano.
 
 
Maria Luiza Salomão, psicóloga, psicanalista, autora de A alegria possível (2010)
 

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