Olho-te assim indo embora,
mala na mão, descalça
com os saltos fincados no coração.
Partiu sem repartir um sofrimento
que é teu, é meu,
assim como cachorro e gato,
as plantas e os discos.
Como partir isso?
Há um estrago necessário, é isso né?!
Repartir a cama a mesa
e os planos - pernas entrelaçadas.
Só nós vimos aquele disco voador não é?
Tem coisas que só nós saberemos,
é fruto da nossa unção
da nossa troca de fluidos, rugidos
juntos ocupando o mesmo lugar no espaço.
Por muitas vezes contrariamos
leis da física, movidos pelo desejo
que hoje partiu junto com o carteiro,
o endereço e o sobrenome,junto com as fotos,
e aquelas coisinhas que você me dava:
concha, papel de bala, fósforo queimado,
flor carnívora, raquete, mata – mosca, máscara.
Mais aquela coisa
de que ainda não entendi a serventia:
era redonda, dourada e tinha a inscrição: TQM
gravada por dentro
Você botou no meu dedo.
E partiu.
Janaína Leão, psicóloga
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.