Mesmo diante dos problemas pelos quais passam a Saúde de Franca, a Prefeitura formalizou esta semana a intenção de reassumir a gestão plena do contrato da Santa Casa com o SUS (Sistema Único de Saúde), que está nas mãos do Estado há sete anos.
A alegação do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) é que a retomada da gestão melhorará a prestação de serviços, uma vez que apenas um gestor ficará responsável pelo hospital - assim como já acontece na atenção básica, áreas preventivas, assistência 24 horas - prontos-socorros, Samu, vigilâncias e especialidades: NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) e AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que já são administradas pelo município. “O comando único já é previsto no SUS, não é a Prefeitura que está inaugurando”, disse Alexandre.
A partir da gestão plena, a Prefeitura ficará responsável pela gestão e repasse dos recursos mensais (aproximadamente R$ 3 milhões) que a Fundação Santa Casa recebe do Ministério da Saúde. Hoje essa função é do governo do Estado.
“Talvez haja mais agilidade nesse processo”, disse o presidente da Santa Casa, José Cândido Chimionato. À frente da fundação há menos de um mês, revelou que não foi informado oficialmente sobre a negociação, mas sabe que ela existe e acredita que “a Santa Casa deva ser chamada, em algum momento, para participar da negociação, porque ela assina esse contrato”.
O prefeito afirma que, na prática, o “comando único” do hospital já acontece e que “melhorou muito, ao ponto de a Santa Casa pagar as suas contas (leia texto nesta página) e bater recorde de atendimento em todas as áreas”.
Cogestão
Há um ano foi implementado na Santa Casa de Franca o sistema de cogestão, do qual participam de sua administração, além da própria diretoria, o município e o Estado.
Chimionato reconhece que a intervenção do poder público foi “altamente positiva” para a Fundação. Ele afirma que os gestores passaram a “entender melhor o processo do hospital” e, assim, propiciar recursos adicionais.
Oficial
O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Franca confirmou, por meio de nota, que recebeu na segunda-feira um ofício do município manifestando o interesse em assumir a gestão plena da Santa Casa. “No momento, o DRS está em tratativas com a Prefeitura para estudar e elaborar o contrato de gestão”, destacou a nota.
Saúde em crise
Quatro famílias, que perderam parentes após atendimento no PS e na Santa Casa nos últimos meses, denunciam negligência. No dia 4, Francisca da Silva, 47, morreu 30 minutos após ser atendida no “Álvaro Azzuz”. Clésia Novais, 31, morreu depois de ficar quatro dias na Santa Casa. Antes, foi atendida no PS e liberada mesmo sem conseguir andar. Luara Prieto, 25, foi oito vezes ao PS e morreu na Santa Casa. Kelly Souza, 27, em novembro de 2013, foi várias vezes ao PS e morreu após cirurgia na Santa Casa.
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