Eis trecho de entrevista que da Folha com João Santana, marqueteiro da campanha de Lula em 2006.
“Folha - Como foi definida a abordagem sobre privatizações? João Santana (...) tínhamos temas de intensa fragilidade e comoção política. O primeiro era ‘privatização’.
A forma não se prestou a deseducar o eleitor, uma noção de que a privatização é algo ruim... Foi deseducativo de acordo com determinado ideário. (...) Primeiro, há um eixo cívico-épico-estatizante que vem de Getúlio Vargas, com a campanha ‘o petróleo é nosso’. Outro eixo são as ‘tramas obscuras’. Não questiono como foram feitas as privatizações com FHC, mas o fato é que ficou (...) algo obscuro. A comunicação de FHC poderia ter vendido (melhor) o benefício. No caso da telefonia, teve sucesso. As pessoas estão aí usando os telefones.
Não é desonesto se beneficiar de algo que o próprio presidente sabe que não é verdade? Não. Eu trabalho com o imaginário, com produções simbólicas. (...) Não acho desonesto pois o tema foi, a menos, discutido. No primeiro turno, analisando pesquisas, enxerguei ali um ‘monstro vivo’, que poderia ser jogado.
Mas, se foi apenas tática reforça-se a tese de que houve certa desonestidade. Não é bem assim. O presidente não foi reeleito por causa da polêmica sobre privatização. O adversário teve chance de responder, mas não o fez. Alckmin poderia mostrar o uso de telefones, de computadores, de internet.”
Viram como é fácil dar outro nome a “mentiras”? Quando não temos referências políticas e culturais nossa visão da realidade é determinada por profissionais focados na troca de produtos (promessas) por dinheiro (votos) sem preocupação com questões morais. Sem referências ouvimos a música, usamos a roupa e elegemos o político que o vendedor quer. (Este artigo é de 2005 e está em meu livro Nóis... qui invertemo as coisa. Vem outra eleição aí...
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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