Não há como evitar. Mais uma vez, é necessário trazer à baila o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e as suas atitudes. Pois o chefe do Executivo francano, de quem a população espera uma explicação plausível sobre os problemas registrados na Saúde Pública do Município, revelou uma visão totalmente dissociada da realidade ao abordar o assunto. Conforme o Comércio publicou em sua edição de ontem, apesar das quatro recentes mortes após atendimentos no Pronto-socorro Municipal e na Santa Casa; apesar de as famílias dos pacientes reclamarem de negligência, e diretor e funcionários do PS Infantil denunciarem que o lugar está infestado de pragas, o prefeito repudia a palavra “caos” para classificar a atual situação da rede.
Aliás, preferiu a velha máxima do futebol de que a melhor defesa é o ataque. Porém, não percebeu que o dito popular não cabe à questão. O chefe do Executivo francano distorceu totalmente o que vem sendo publicado nos últimos tempos -- e não só pelo Comércio. Fez um verdadeiro ato de fé nos funcionários da Saúde Pública municipal, mas não é disso que a população reclama. Ninguém está colocando em dúvida a qualidade dos servidores de modo geral, mas sim os fatos que envolvem as mortes de quatro pacientes em pouco mais de dois meses. Ele chega ao ápice ao dizer que “estão jogando a população contra os servidores”, algo que nunca ocorreu. O que se exige é apenas que as mortes sejam apuradas e explicadas condignamente.
Ao conceder a entrevista, no mesmo dia em que a Câmara abriu uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar a saúde do município, o prefeito levantou a hipótese de que um vereador -- sem citar o nome -- estaria utilizando a Comissão como trampolim para as eleições de outubro, num discurso que se quer escapatório mas se torna mesmo é ridículo.
O prefeito apenas admite a possibilidade de que “problemas” no setor poderiam ter causado os óbitos. É muito genérico. Disse que sindicâncias foram abertas para averiguar se foi erro do profissional, do sistema (“enquanto administração e logística”) ou “um caso em que, infelizmente,o paciente não respondeu ao tratamento”. É vago e quase cruel.
Alexandre Ferreira garantiu ainda que o PS Infantil não será interditado. Nega que haja baratas no prédio (“elas saem do bueiro, entram em contato com o veneno que nós jogamos e morrem”). A sua opinião contrasta com a do diretor da Divisão de PSs, Ricardo Veríssimo Júnior. Segundo este, em ofício à Secretaria da Saúde, o local deveria ser interditado por causa do “odor fétido causado por fezes de pombos; pombos mortos no forro em processo de putrefação; baratas e vermes; e escorrimento de água pútrida do forro para o interior do prédio”.
Qual cidade Alexandre Ferreira acha que administra? Responder às perguntas com ataques ou com discurso dissociado do que realmente acontece não satisfaz os que esperam um esclarecimento: não só os familiares das vítimas, mas também toda a população. Não será assim que o prefeito conseguirá se redimir. Precisa mesmo é colocar os pés no chão e tomar um choque de realidade para não perder totalmente as rédeas de sua administração.
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