Calçadistas prometem repassar alta do couro


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Debate sobre a situação do couro, ontem no Sindifranca; consumidor é quem ficará com a conta da alta do preço dos sapatos
Debate sobre a situação do couro, ontem no Sindifranca; consumidor é quem ficará com a conta da alta do preço dos sapatos
A alta no preço do couro, que virou motivo de preocupação dos empresários calçadistas de Franca desde o ano passado, pode ser repassada ao consumidor final. A possibilidade foi levantada ontem, 12, em reunião realizada na cidade para discutir a situação do couro. Com demanda crescente no exterior, o preço do couro interno encareceu mais de 30% nos últimos meses. Diante desse aumento, os calçadistas começaram a reclamar, tiveram de reduzir seu faturamento e passaram até a ter dificuldade de encontrar o produto.
 
O encontro foi no Sindifranca e reuniu empresários locais e lideranças do setor, entre elas, o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein. Também participou da reunião o presidente do CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), José Fernando Bello.
 
Ontem, o presidente das Indústrias de Curtumes negou um desabastecimento de couro no país e, diante a apresentação de dados do setor, explicou que o preço obedece a uma lei de mercado. “Atualmente 78% do couro abatido no Brasil é exportado e isso acontece porque não há demanda para esse volume aqui dentro. Se Franca necessitar de mais couro, nós temos como atender”, disse Bello aos empresários presentes.
 
No ano passado foram mais de US$ 2,5 bilhões exportados em couros e peles, um recorde histórico. Já em fevereiro as vendas seguiram em alta e totalizaram US$ 248 milhões, o que representa um crescimento de 31,3% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior.
 
Diante do conhecimento da situação, os calçadistas de Franca chegaram à conclusão de que a saída será trabalhar por uma maior valorização do calçado e repassar o aumento aos lojistas e, consequentemente, ao consumidor. “Nós, empresários, precisamos nos unir e fazer os lojistas reconhecerem o preço do sapato de couro produzido em Franca”, disse o empresário Renato César Silva Massumoto, da Pisaras Brasil.
 
Para o empresário Urias Cintra, proprietário da Democrata, a reunião foi “esclarecedora” e os calçadistas terão de pagar pelo atual preço do couro. “A reunião foi em função do aumento e a realidade terá que ser encarada. Em contrapartida, cada empresário terá de fazer seus reajustes internos que chegarão aos lojistas e consumidores.”
 
Após mais de duas horas de debate, o presidente do Sindifranca, José Carlos do Couto Brigagão, disse que fortalecerá os trabalhos em prol da indicação de procedência do calçado e buscará mecanismos para uma melhor união do setor. “Vamos apresentar o projeto da indicação de procedência do calçado de Franca para cinco ministérios do governo, mostrar a importância do nosso produto feito de couro legítimo e que não tem concorrência na América Latina. Ao mesmo tempo, iremos traçar um plano para unir ainda mais a cadeia couro calçadista”.
 
com informações da AE

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