Sem o hábito de tentar negociar ou ouvir conselhos, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deverá enfrentar fogo cerrado da Câmara Municipal. O mesmo Poder Legislativo que já vinha demonstrando desagrado com a forma de governar do prefeito tucano agora escancarou de vez a sua insatisfação. Ontem, os vereadores aprovaram a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar recentes ocorrências na saúde pública no município. Nos últimos meses, foram registradas quatro mortes suspeitas.
Cada vez mais isolado, Alexandre Ferreira terá que buscar se valer de um traquejo político que até hoje, mais de um ano após a sua posse, não demonstrou possuir. A situação que se vê atualmente já tinha sido desenhada aqui neste mesmo espaço do Comércio e, para muitos analistas, demorou muito. O chefe do Executivo francano conseguiu se indispor com todo mundo. Até os membros de seu partido o deixaram ilhado, contando apenas com uma voz isolada em sua defesa no Legislativo: Laercinho (PP), cuja atuação ontem, quando a CEI foi autorizada, mostrou que o prefeito não pode esperar muito do aliado.
A articulação para criação da CEI foi da vereadora Valéria Marson (PSDB), mesmo partido do prefeito Alexandre Ferreira. Assinaram favoráveis à criação da comissão seis vereadores: Márcio do Flórida (PT), Luís Carlos Vergara (PSB), Daniel Radaeli (PMDB), Pastor Otávio (PP), Nirley de Souza (DEM) e a própria Valéria. Eram necessárias cinco assinaturas. Ver um membro de seu partido inspirando e encabeçando a comissão de investigação deve ser desestimulante para Alexandre Ferreira. Vítima de um verdadeiro fogo amigo deve estar hoje quebrando a cabeça para saber como sair deste imbróglio.
A criação da CEI é ponto culminante em pouco mais de um ano em que o prefeito se notabilizou por tomar decisões autocráticas, sem ao menos ouvir os auxiliares que ele mesmo nomeou para comporem o seu primeiro escalão. E o mutismo, marca registrada da administração diante de fatos como as quatro mortes relacionadas à saúde pública em Franca, cobra hoje o seu preço. Da mesma forma que a assinatura de um acordo com a Empresa São José nunca explicada a contento, e a decisão de retirar vagas de estacionamento do Centro sem ouvir os envolvidos, Alexandre Ferreira paga alto pelos seus erros. Nenhum homem é uma ilha e nenhum administrador público conseguirá levar avante o melhor de seus planos se não dialogar com seus parceiros e subordinados.
Com a CEI criada, basta agora aguardar a sua resolução. Espera-se que ela não siga o mesmo caminho da comissão criada para investigar o contrato com a Empresa São José, com seus membros divididos e dois relatórios que não serviram para nada. Os problemas na Saúde Pública municipal são graves e precisam ser investigados e punidos. O francano não suporta mais acompanhar uma novela cujo último capítulo termina em pizza.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.