Bastaram três horas para que a Câmara Municipal de Franca mostrasse o tamanho da insatisfação dos vereadores com os rumos da administração Alexandre Ferreira (PSDB). Na manhã desta terça-feira, os vereadores aprovaram a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar as mortes e a situação precária da Saúde em Franca. Também assinaram uma indicação conjunta para que o prefeito reveja o corte de vagas no Centro e, como se não bastasse, ainda negaram o regime de urgência para o projeto de lei que estipula o percentual de reajuste dos servidores municipais em 4,97%.
Como já era previsto, logo nas primeiras horas da manhã de ontem, a vereadora Valéria Marson (PSDB) já estava na Câmara colhendo as últimas assinaturas para protocolar o pedido de abertura da CEI da Saúde. Diferente do que aconteceu com as CEIs da São José e do Viaduto “Dona Quita”, desta vez, não houve dificuldades para a instalação. Antes mesmo do início da sessão, o requerimento já tinha seis assinaturas, uma a mais que o mínimo exigido. Além de Valéria, também assinaram o requerimento os vereadores Daniel Radaeli (PMDB), Márcio do Flórida (PT), Luiz Carlos Vergara (PSB), Pastor Otávio (PTB) e Nirley de Souza (DEM).
Por sorteio, a Comissão será formada pela vereadora Valéria Marson, que ocupará a presidência; Márcio do Flórida, que será o relator, e Daniel Radaeli, que será o terceiro membro. Na suplência, ficaram Josivaldo Bahia (PTB), Laercinho (PP) e Nirley de Souza. “Estou muito feliz com o posicionamento da Câmara. Nós, como vereadores, não poderíamos fechar os olhos e cruzar os braços. Temos responsabilidades. Essa CEI não é para julgar ninguém, mas para descobrir quais são os problemas da Saúde e propor soluções”, disse Valéria Marson. Para o prefeito, a CEI é “palanque eleitoral” (leia na Página 5A).
A primeira reunião da Comissão deve acontecer já nesta quarta-feira. Nela, deverão ser definidos os primeiros passos da investigação e os métodos que serão adotados. “Queremos começar o mais rápido possível. Temos que dar uma resposta às famílias das quatro vítimas que morreram em condições suspeitas”, disse Valéria, se referindo aos casos de Kelly Cristina Souza, de 27 anos; Luara Prieto, de 25, Clésia de Araújo Morais, de 31, e Francisca Firmina da Silva, 47 anos. Além das mortes, a CEI também deve investigar as condições de atendimento nos dois Prontos-socorros Municipais.
Vagas
A criação da CEI mal havia sido oficializada, quando os 14 vereadores (o presidente é impedido) apresentaram uma indicação conjunta pedindo a revogação dos cortes de vagas de estacionamento no Centro da cidade. A ideia é mostrar união e pressionar o prefeito a atender a reivindicação da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). O presidente da entidade, José Alexandre Carmo Jorge, e alguns diretores acompanharam a apresentação do documento.
Servidores
Em seguida, foi a vez do presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Luiz Fernando Nascimento, usar a tribuna indignado com a manobra do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que mandou para a Câmara um projeto de lei com o reajuste da categoria sem ter sequer avisado o sindicato. “Eu não estava sabendo de nada. Protocolei a pauta com as reivindicações dos servidores no dia 18 de fevereiro e, desde então, estou esperando a convocação para reunião. Não veio. E agora fico sabendo desse projeto. É muito desrespeito”, disse.
Ele também pediu aos vereadores que não votassem o projeto de reajuste ontem. “Ele (Alexandre) faltou com respeito não apenas a mim, mas a toda a categoria. Nem se deu ao trabalho de nos ouvir. A lei fala em negociação salarial. E negociação pressupõe que haja troca de ideias. O prefeito não fez isso.” À tarde, após o “não” da Câmara, o prefeito recebeu o sindicato (leia na Página 3A).
Sem discussão
Com uma manhã recheada de discussões, a segunda metade da sessão de ontem na Câmara acabou esvaziada. Dos 25 projetos que constavam da pauta, cinco foram adiados. Entre eles, o que quer revogar o adicional de até 30% concedido aos servidores do Legislativo que se qualifiquem. Outras três propostas acabaram retiradas por seus autores. Dos projetos que restaram, a grande maioria se referia à nomeação de ruas e prédios públicos e à concessão de títulos honoríficos.
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