No mesmo dia em que a Câmara abriu uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar a saúde do município, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) descartou o caos no setor. Indagado se existe uma crise na Saúde Pública, foi enfático: “Não! Em hipótese alguma”. Ele ainda levantou a hipótese de que um vereador - sem citar o nome - utilize a Comissão como trampolim para as eleições de outubro.
Apesar do cenário caótico explicitado pelas quatro recentes mortes após atendimentos no Pronto-socorro Municipal e na Santa Casa, cujas famílias dos pacientes reclamam de negligência, e pela denúncia do próprio diretor e de funcionários do PS Infantil, que está infestado de pragas, o prefeito repudia a palavra “caos” para classificar a atual situação da rede. “Falar que a Saúde Pública é um caos, porque o funcionário é ruim, não quer atender e que está tratando mal todo mundo, é um crime que estão cometendo. Estão jogando a população contra os nossos colegas servidores que estão fazendo seu trabalho dignamente”, afirmou o prefeito.
Sobre as mortes, admitiu a possibilidade de ter ocorrido “problema”. Disse que sindicâncias foram abertas para averiguar se foi erro do profissional, do sistema (“enquanto administração e logística”) ou “um caso em que, infelizmente, o paciente não respondeu ao tratamento”.
Já sobre o PS Infantil, Alexandre garantiu que o local não será interditado, conforme pedido do diretor da Divisão de PSs, Ricardo Veríssimo Júnior. O prefeito afirmou que esteve pessoalmente na unidade e que não foi constatada a necessidade de interdição. “Existe um controle de pragas e todo trabalho é realizado sem comprometer a saúde das crianças”. Quanto às baratas encontradas no local, afirmou que elas saem do bueiro e que não existe sinal do inseto dentro do prédio. “Elas vêm de fora, entram em contato com o veneno que nós jogamos e morrem.”
Ao contrário do que disse Alexandre, o diretor do PSs, em ofício à Secretaria de Saúde em janeiro deste ano, afirma que o prédio apresenta “odor fétido causado por fezes de pombos; pombos mortos no forro em processo de putrefação; baratas e vermes; escorrimento de água pútrida do forro para o interior do prédio”.
Após as mortes e as denúncias sobre a infestação de pragas no PS Infantil, o Cremesp anunciou nesta semana que fará “pentes-finos” surpresas nas unidades de saúde (leia texto nesta página).
‘Em condições’
Para tentar fundamentar sua afirmação de que não há crise na Saúde, Alexandre Ferreira citou o número de consultas realizadas (1,7 milhão) e a quantidade de doses de medicamentos distribuídas (79 milhões) em 2013, a construção de dois novos Prontos-socorros Municipais, novas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), além da reforma daquelas já existentes.
Segundo ele, a administração oferece à população estabelecimentos “em condições”, medicamentos, diagnósticos, transferências, internações, exames e cirurgias. “Aí vem o vereador e fala que a Saúde está uma ‘caca’, porque o atendimento é muito ruim. Ele está dizendo que o atendimento do servidor é ruim. E não é.”
O prefeito disse ainda que está “aberto para qualquer tipo de investigação”. “Não tem problema nenhum. O que não dá é para vereador - alguns candidatos a deputado - usar aquilo (a CEI) como palanque político para fazer campanha.”
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