É possível que você tenha iniciado esta leitura em razão do título. Não vou falar da impotência no aspecto sexual, mas no aspecto volitivo, do enfrentamento de situações que a vida nos apresenta. Todo humano enfrenta obstáculos, desafios, barreiras, crises; porém, a reação de cada pessoa nem sempre é a mesma. A uma mesma situação, alguns criam coragem e enfrentam, são pessoas potentes; outros desistem, colocam-se no lugar de vítima, são impotentes. Potência e impotência, portanto, são dois lados da mesma moeda. Todos somos potentes mas podemos ser impotentes.
Reconhecer essa dualidade é essencial. Potência reflete coragem, mas há situações em que a coragem precisa ser moderada para não gerar violência. Da mesma forma, impotência dá sinal de limite, de medo, porém, permanecer nela pode gerar incapacidade paralisante. Necessário se faz buscar equilíbrio.
Tenho a sensação que estamos involuindo nesse sentido, adquirindo inteligência racional e lógica e perdendo inteligência emocional. Estamos desaprendendo a relacionar com os outros. Temos dificuldades de nos entender e entender os outros. Situações difíceis que enfrentamos quase sempre pioram pela deficiência de inteligência emocional que estamos vivendo.
Tenho presenciado pessoas paralisadas em situação específica por longo período. É como se tudo se resumisse àquilo. Não muda, como a disco furado que sempre volta ao mesmo lugar, ou com as repetições. É preciso mudar de faixa, olhar a situação e permitir novos horizontes, pois o homem vale tanto quanto o valor que atribui a si mesmo. Se permite que situação externa controle sua vida, você se torna impotente. É interessante questionar em que, ou a quem, você tem dado valor. Transforme sua impotência em potência, caminho possível, de valorização a si próprio. O escritor Jorge Luis Borges dizia que ‘Qualquer destino vale apenas por um único momento: aquele em que o homem compreende, de uma vez por todas, quem é.’
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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