A Justiça de Franca condenou o pastor José Elias da Cruz, 54, a 18 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de estupro de vulnerável e de violação sexual mediante fraude. Segundo a sentença, o ex-líder religioso da Igreja Paz no Vale, localizada no Jardim Redentor, em Franca, abusou sexualmente de três mulheres, entre elas duas irmãs, hoje com 13 e 16 anos.
A decisão proferida pelo juiz Orlando Brossi Júnior, no último dia 19, determinou que o réu não poderá recorrer em liberdade, devendo cumprir pena na Penitenciária II de Serra Azul, onde está preso desde o ano passado.
A família das adolescentes que foram vítimas do pastor foi comunicada da condenação no final de semana, por meio de correspondência da Justiça.
“Para mim, minha família e, principalmente, para as meninas foi um alívio muito grande. A gente tem a sensação de que a justiça foi feita”, disse a mãe das adolescentes.
Ela evitou fazer comentários sobre a pena imposta pela Justiça ao pastor, mas afirmou que o fato do réu não poder recorrer em liberdade a “conforta”.
A mulher que, juntamente com a família, deixou de frequentar a igreja, alerta pais de outras crianças e adolescentes para que fiquem sempre atentos para que seus filhos não sejam vítimas desse tipo de crime, praticado por um líder religioso. “Quando você entra numa igreja abre seu coração, confia e acredita. Nesse ponto, sei que eu vou me policiar bastante”, disse.
O advogado de defesa do pastor, Thiago Machado Honório, afirmou na tarde de ontem por telefone que desconhece o teor da sentença, porque ainda não foi citado pela Justiça.
O crime
Mineiro de 54 anos, José Elias da Cruz era líder religioso da Igreja Paz no Vale, localizada no Jardim Redentor, em Franca, quando surgiram as denúncias de abusos sexuais cometidos durante rituais espirituais realizados na casa do pastor e das próprias vítimas.
A alegação do religioso era a de que as mulheres precisavam ser submetidas a tratamentos contra “espíritos da sensualidade, rebeldia ou morte”. Depois das orações, ele “ungia” com óleo partes íntimas: tocava seios, pernas, vagina e ânus das vítimas.
Segundo a sentença, o pastor tinha o hábito de levar jovens em sua casa para orar, muitas vezes em seu quarto. Uma das adolescentes abusadas narrou que certa vez o religioso a empurrou pela testa e a derrubou na cama. Em seguida, abriu sua calça e introduziu o dedo em sua vagina, bem como acariciou seus seios, enquanto fazia a oração.
Durante o abuso, outras duas fiéis entraram no local e foram imediatamente repreendidas por ele. José Elias dizia que precisava “expulsar os demônios da sexualidade” e que sua presença afastava esses demônios. A orientação dele era a de que a adolescente jamais contasse a ninguém sobre a oração.
Segundo a Justiça, o pastor convencia as fiéis de que agia em nome de Deus e proferia rezas como “Jesus, repreende o espírito da sensualidade, estou passando a mão aqui para o Senhor repreender e tirar o espírito da sensualidade da vida dela”.
As vítimas disseram à Justiça que o pastor agia sempre da mesma forma e dizia que, caso não consentissem com o “tratamento” espiritual, seriam punidas e arruinadas pelo demônio.
A denúncia
As acusações de abuso sexual contra o pastor José Elias da Cruz foram feitas em 25 de fevereiro do ano passado, quando as duas irmãs procuraram a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para registrar um boletim de ocorrência. Os abusos, no caso da irmã mais nova, ocorriam havia cerca de nove meses. Os pais descobriram porque, no dia 22 de fevereiro de 2013, o pastor teria abusado da irmã mais velha que acabou contando tudo para o pai, que resolveu procurar a delegacia.
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