É possível defender?


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Em pouco mais de uma década, o Brasil vem utilizando uma política com um alto viés ideológico quando se trata de relações exteriores. Em busca de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Ações Unidas), tornou-se comum à diplomacia brasileira afagar regimes de exceção, como ocorre em alguns países da África e Cuba, além de defender governos como os de Nicolás Maduro (antes, Hugo Chávez) na Venezuela e Evo Morales, na Bolívia, onde o que menos interessa são os direitos da população. Em nome de uma pretensa unidade latino-americana, o Brasil permite a expropriação de plantas de empresas como a Petrobras nestes dois países sem que haja um ressarcimento. Prejuízo para a Nação e aos cidadãos que pagam impostos, cujo dinheiro acaba não beneficiando quem deveria.
 
Além disso, o Brasil continua ainda concedendo empréstimos para obras que seriam muito mais importantes se aplicados dentro do nosso território. E, no fim das contas, acaba concedendo o perdão das dívidas, como se esse dinheiro não fizesse falta aqui. Foi o que já aconteceu com Lula e sua sucessora Dilma Rousseff: países da África comandados por ditadores que só enriquecem às custas da miséria de seus povos tiveram dívidas perdoadas para que se colocassem ao lado do Brasil na questão do Conselho de Segurança da ONU. Porém, o sacrifício do povo brasileiro que vê divisas se esvaindo sem um resultado prático, será em vão. Afinal, para ter assento permanente no CS será preciso que EUA, França, China e Rússia, membros permanentes com poder de veto, também apoiem a iniciativa. E isto está muito longe de acontecer.
 
Então, a diplomacia brasileira vai continuar desenvolvendo uma política ideológica, como agora ao não se posicionar de maneira firme contra o verdadeiro ataque à democracia promovido pelo regime venezuelano de Nicolás Maduro. Mais de vinte pessoas morreram durante os protestos de rua das últimas semanas e o que o Brasil fez foi vetar a ida de observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) para acompanhar os fatos na Venezuela. Além disso, reforça o apoio a Maduro, que prefere culpar os Estados Unidos pelas manifestações do que reconhecer os erros de sua política econômica que leva ao desabastecimento e aumenta a miséria de sua população.
 
As relações do Brasil com o mundo já começam a prejudicar até a balança comercial. Nos últimos anos, por causa da ineficiência do Itamaraty, reduzem-se os acordos comerciais e quem sofre com isso é o setor produtivo brasileiro. As exportações continuam em nível mais baixo do que as importações, causando déficits recorrentes. E, agora, o País ainda sofre com uma denúncia da União Europeia à OMC (Organização Mundial do Comércio) contra benefícios concedidos à indústria automobilística. Recentemente, Dilma Rousseff esteve na Europa, mas não conseguiu consertar o estrago que vem sendo feito ao longo da década. Assim como a política externa, a presidente fez discursos confusos, dissociados da realidade e abriu um abismo num possível acordo comercial como a UE. Enquanto não se mudar a forma de se relacionar com outros países, dificilmente o Brasil terá condições de reverter este quadro.
 
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