Desmantelada quadrilha que atacou padres e aterrorizou seis famílias


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Casa paroquial da Igreja Menino Jesus de Praga, no Francano, foi atacada pelo bando há exatamente um mês: 4 padres foram vítimas
Casa paroquial da Igreja Menino Jesus de Praga, no Francano, foi atacada pelo bando há exatamente um mês: 4 padres foram vítimas
O jovem que aos 16 anos assumiu mais de 100 furtos é hoje o comandante da quadrilha de assaltantes mais violenta de Franca. Alexandro Rodrigues dos Santos, 23, o “Cicatriz”, que ganhou as páginas do Comércio pela primeira vez em 2006, confessou o comando de uma dezena de crimes. Entre as mais de 30 vítimas estão quatro padres. Após a missa noturna do dia 9 de fevereiro, eles foram assaltados na casa paroquial da Igreja Menino Jesus de Praga, no Francano.
 
O desmantelamento da quadrilha teve início quinta-feira, 6. “Cicatriz”, que até então não havia praticado roubo no período do dia, emprestou sua garrucha, calibre 32, ao comparsa Paulo Ricardo Taveira, 19. O rapaz roubou o celular e R$ 6 de uma auxiliar de 30 anos, no Santa Adélia, por volta das 8h30. Na sequência, PMs os prenderam.
 
“Ele (‘Cicatriz’), durante o dia, se fazia passar por pedinte. Junto com parte dos comparsas, ficava nos cruzamentos de avenidas, vendendo balas ou pedindo dinheiro. Ele mudou a rotina e acabou preso”, disse o delegado Leopoldo Gomes Novais, do 3º Distrito Policial, que investigava o bando.
 
Com a prisão, Novais cruzou informações das investigações com os roubos. Vítimas e testemunhas de oito assaltos reconheceram “Cicatriz”. “As pessoas não tiveram dúvidas em apontá-lo como sendo o mais violento, que ameaçava, agredia e promovia tortura psicológica para conseguir o que queria”, destacou o delegado. Interrogado, “Cicatriz” confessou os assaltos e forneceu detalhes de cada ação.
 
Uma das vítimas só não foi morta, porque a garrucha dele não tinha munição. “Vítima folgada. Me tomou a arma e me bateu”, disse o bandido a policiais. A pessoa citada é proprietária de uma chácara próxima ao Hospital do Coração. O bando tentou roubar o local na noite do dia 2 de março. A vítima reagiu. Com a ajuda dos comparsas, Cicatriz revidou a agressão e mandou o homem para o hospital.
 
“A quadrilha, algumas vezes, usou um revólver calibre 38 emprestado, mas a arma principal era a garrucha. Ela só não tinha munição, porque o grupo não conseguia adquirir os projéteis”, lembrou Novais. O bando, em certa ocasião, chegou a perder a garrucha em um matagal nos fundos da Vila Gosuen. Eles atearam fogo no local e conseguiram localizá-la.
 
Os crimes
O bando de “Cicatriz” contava com seis membros, incluindo a namorada dele. Eles cometeram, além do assalto à casa paroquial na noite dia 9 de fevereiro, outros sete roubos. Dia 15, roubaram um taxista. Na sequência, os alvos foram residências do Moema (dia 17), Planalto (18), Barão (20), Morada dos Sonhos (2 de março), São Vicente (5) e Três Colinas (5).
 
“Cicatriz” aprendeu técnicas de abordagem quando esteve preso, e as usava para invadir casas. Dinheiro, joias, eletroeletrônicos e celulares eram o que a quadrilha buscava nos assaltos. Para fugir, eles usavam os veículos das vítimas. “O bando não ficava com nada. Tudo que roubavam era trocado por drogas”, disse o delegado.
 
A Vila Gosuen era a base da quadrilha. Dos seis integrantes, “Cicatriz” e outros dois estão presos. A namorada do líder e outro comparsa são procurados. O sexto, conhecido como “Alemão”, ainda não foi identificado. “As investigações prosseguem. Há indícios do envolvimento da quadrilha em mais uma dezena de roubos, além de furtos”, afirmou o delegado.
 
Cada roubo esclarecido terá um inquérito próprio. O bando responderá, ainda, por formação de quadrilha armada. Se condenados em todos os processos, cada um pode pegar mais de 50 anos de prisão.

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