O hábito de uma aposentada metódica foi responsável por revelar a sua morte na tarde de sábado, no Jardim Riviera. Ana Cecília Machado, de 69 anos, foi encontrada com um corte profundo do lado esquerdo do pescoço pelo vizinho da frente, o montador Wellington da Silva, 21. O corpo foi encontrado caído no banheiro da casa de fundos, que estava toda revirada. Esse fato faz com que a polícia suspeite que o crime tenha sido um latrocínio (roubo seguido de morte). “Ela sempre trancava o portão com um arame e o escorava com um toco, para que ele não ficasse batendo.” Na tarde de sábado, isso não aconteceu.
“Ela mantinha sempre a mesma rotina, então estranhamos o portão, que não parava de bater. Como ela não apareceu na sexta-feira, hoje (sábado) minha mãe pediu para eu dar uma olhada e começamos a chamar pelo nome dela. Subi em cima do tanque e olhei pela janelinha do banheiro, que está quebrada. Vi o corpo de bruços no chão com muito sangue em volta. Chamei a polícia e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).” Wellington descobriu o corpo por volta das 15 horas de sábado. A data exata da morte não havia sido determinada até o fechamento destra edição.
Investigação
No interior da casa, objetos foram encontrados revirados, o que levanta a suspeita de latrocínio, mas a única confirmação dada pela polícia, no local dos fatos, é que o caso trata-se de homicídio. “Ela foi vítima de esgorjamento, feito pelo lado esquerdo do pescoço, profundo. O crime ocorreu entre a área da cozinha e do banheiro. O instrumento - possivelmente uma faca de corte por ter produzido uma lesão como esta - não foi encontrado. Mas, com certeza, trata-se de um homicídio”, informou o perito criminal Edmilson Martins.
Sozinha
A última vez que Ana Cecília foi vista com vida foi na tarde de quinta-feira, quando chegava em casa com compras de supermercado. De acordo com depoimento de vizinhos, a aposentada era uma pessoa que não tinha o hábito de receber visitas, nem mesmo da família. Na tarde de ontem, a única informação que se tinha sobre seus familiares era que moravam em Ribeirão Preto.
Durante a passagem da polícia pelo local do crime, populares se aglomeraram na casa da frente da aposentada e comentavam sobre seus hábitos. “Era uma mulher muito ‘na dela’, não gostava de falar sobre a vida dela. Fazia sempre as mesmas coisas e era uma boa pessoa. Frequentava a igreja Universal”, disse uma das vizinhas.
A aposentada morava no imóvel em que foi encontrada morta desde o dia 27 de dezembro do ano passado. Antes, morou na mesma rua por dois anos.
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