Cremesp de São Paulo abre sindicância contra o Pronto-Socorro Infantil


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O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) anunciou nesta sexta-feira a abertura de uma sindicância para apurar as condições de trabalho no Pronto-Socorro Infantil de Franca. Uma denúncia feita com exclusividade pelo Comércio da Franca na sua edição do dia 4 de março mostrou que o local está infestado por baratas e escorpiões e sofre com a presença de pombos e roedores. 
 
O problema vem se arrastando há pelo menos um ano. O Comércio teve acesso aos ofícios encaminhados pelo diretor da unidade, Ricardo Veríssimo, à Secretaria Municipal de Saúde nos quais pede providências imediatas a respeito. Nos documentos, Veríssimo pede que seja feito um estudo para a interdição do pronto-socorro. “O risco de transmissão de doenças é iminente e requer medidas imediatas”, disse no documento. Em ofício de janeiro deste ano, o diretor do PS afirma que “a situação de momento é: odor fétido causado por fezes de pombos; pombos mortos no forro em processo de putrefação; baratas e vermes; escorrimento de água pútrida do forro para o interior do prédio”. 
 
Em fevereiro deste ano um grupo de 28 médicos, enfermeiros, técnicos e outros funcionários do Pronto-Socorro Infantil também fizeram um abaixo-assinado relatando os mesmos problemas apontados pelo diretor da unidade. Eles expuseram ainda o risco de infecção cruzada e constantes roubos, furtos e ameaças aos funcionários. 
 
Ao tomar conhecimento da gravidade das condições de atendimento no PS Infantil, o Cremesp de São Paulo informou que abriu uma sindicância para apurar os fatos. “Vamos averiguar e fiscalizar como são feitos os atendimentos médicos na unidade. Se realmente houver esta situação, tomaremos as medidas cabíveis”, informou a assessoria de imprensa do órgão. 
 
A assessora não deu detalhes sobre quais medidas seriam essas. Ao ser questionada, informou que poderão ser abertos processos por má-conduta ética contra os responsável. Não há prazo para a conclusão da sindicância. 
 
Mais uma
Também na sexta-feira, o Cremesp de Franca afirmou que deve fazer uma fiscalização no Pronto-Socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. A medida foi anunciada dias depois de mais uma morte suspeita ser registrada. A diarista Francisca Firmina da Silva, de 47 anos, faleceu na última terça-feira de Carnaval meia hora depois de ser liberada pelo Pronto-Socorro. Foi a terceira morte suspeita apenas neste ano.
 
O delegado do Cremesp, Ulisses Minicucci, disse que não é normal que três mortes em condições muito parecidas aconteçam e que é preciso investigar. “Vamos visitar o pronto-socorro, fazer uma fiscalização e enviar o resultado em um relatório para a Secretaria Municipal de Saúde para que tome providências.” 
 
Além disso, o conselho ainda abriu sindicância para apurar a conduta dos médicos envolvidos nos três casos de morte ocorridas desde janeiro. Todas as sindicâncias estão em andamento. Além de Francisca, morreram neste ano depois de passar pelo PS: Luara Prieto Ribeiro, de 25 anos, e Clésia de Araújo Novais, de 31 anos.
 
Respostas
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, foi procurada na tarde de sexta-feira e neste sábado para comentar as sindicâncias do Cremesp de Franca e de São Paulo, mas não atendeu os dois celulares. Anteontem, na sede da secretaria, sua assistente disse que ela estava em reunião e não poderia atender ao telefone.
 
Na quinta-feira passada, Rosane esteve na Câmara Municipal após ser convidada pelos vereadores a dar explicações sobre as denúncias de erro médico na rede pública de saúde. Com a presença de familiares das jovens atendidas no Pronto-Socoro “Doutor Álvaro Azzuz” e na Santa Casa, que acusam médicos de descaso, a secretária recuou. Chorou e pediu desculpas aos familiares das pacientes. “Eu sei que algo muito grave está acontecendo”, admitiu. Antes, Rosane vinha adotando outro discurso, afirmando que “a medicina é biológica” e que “uns vão entrar no Pronto-Socorro e sair melhor, e outros vão agravar e piorar”.
 
Quanto às denúncias dos riscos com a presença de pombos, insetos e outros animais no complexo do Pronto-Socorro Infantil, que engloba o NGA, a Prefeitura culpa vizinhos por sujeira nas imediações que atrairia os bichos. Em nota, afirmou que a Vigilância Sanitária assegurou que “há condições normais de atendimento”, mas anunciou reparos e reforma do local.
 
Colaborou Juliana Pereira 

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