Na região do Parque Vicente Leporace, segundo dados da Associação de Moradores do Bairro, residem cerca de cem mil pessoas, quase um terço da população de Franca. Apesar disso, o bairro não conta com áreas de lazer. Segundo o presidente do Centro Comunitário do Leporace, Nelson da Rocha Neves, o projeto de criação do bairro prevê a instalação de mais de 17 praças com equipamentos de lazer. As áreas foram reservadas, mas as praças e parques nunca foram criados. A denúncia foi feita durante o programa Hora da Verdade Itinerante, da rádio Difusora AM, transmitido ao vivo do Leporace no dia 28 de fevereiro.
O presidente disse que há mais de 20 anos luta para que as áreas de lazer sejam implantadas. “Esse é um problema muito antigo. Já reclamei para diversas administrações. Para o pessoal do Gilmar Dominici (PT), do Sidnei Rocha (PSDB) e agora para o Alexandre Ferreira (PSDB), mas nada foi feito.”
Sem a criação das praças, os terrenos reservados acabaram se tornando um problema. “São puro matagal. Poderiam ser usados para o bem da população, mas só trazem problemas”, disse o presidente.
Além da não implantação das praças, representantes do Centro Comunitário e a Associação de Moradores ainda disseram que a única área de lazer criada, que fica ao lado da UBS do Leporace, está abandonada. “A Prefeitura não faz a manutenção. Lá, é puro mato. A iluminação está precária, não tem como frequentar aquele local.”
A falta de limpeza de terrenos foi outra queixa registrada. Morador há mais de 20 anos no bairro, o aposentado Vitor Silva disse que não aguenta mais conviver com os animais peçonhentos que invadem sua casa na rua Rosana Pop Noberto. “Já reclamei para a Prefeitura, para a Secretaria de Obras e até para empresa de lixo, mas ninguém faz nada. Me sinto esquecido.”
Também no programa Hora da Verdade os moradores pediram mais segurança. Segundo o presidente do Conseg (Conselho Municipal de Segurança) do bairro, Antônio Carlos Lima, faltam viaturas para fazer o patrulhamento do bairro. “Principalmente aos finais de semana. Como não há muitas opções, os jovens costumam se aglomerar na avenida principal do bairro. Vem gente de outras regiões da cidade e vira uma grande confusão.” Ele também disse que o tráfico de drogas na região vem crescendo e que é preciso uma medida por parte das autoridades. “Esse é um problema sério e que precisa ser discutido e combatido. Precisamos de mais apoio.”
Predinhos
Os inúmeros problemas enfrentados pelos moradores dos prédios que compõem o Conjunto Habitacional do Leporace também foram denunciados. Mesmo as unidades que passaram pela revitalização já apresentam rachaduras e problemas como a falta de equipamentos de segurança adequados.
Uma dona de casa que pediu para não ser identificada disse que no prédio onde ela mora com a família a situação é caótica. “Eu me mudei para cá há alguns anos e descobri que sequer temos tampa nas caixas d’água. Eu mesma tive que subir e instalar uma lona provisória para tentar diminuir a contaminação.”
Ela disse que diversos apartamentos no prédio apresentam rachaduras nas paredes. “Tem imóveis onde as rachaduras estão com mais de um centímetro. A gente morre de medo de isso ser sinal de algo mais sério. Os técnicos vêm, olham e não fazem nada.”
Para ela, antes de começar as obras de revitalização, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano), responsável pela construção dos prédios, deveria se preocupar em consertar a estrutura das unidades. “Temos problemas muito mais sério do que a pintura do prédio.” A dona de casa chegou a escrever uma carta para a empresa narrando todos os problemas encontrados, mas disse que em nenhuma das vezes obteve resposta.
Drama
O pespontador Alerson Renovato Oliveira, 34, é um dos moradores que levaram seus dramas aos microfones da Difusora durante o programa Hora da Verdade no Leporace. Ele pediu ajuda de um advogado para conseguir a prisão do assassino confesso, segundo ele, de seu pai. Nelchiades Palma de Oliveira tinha 56 anos e morreu em maio de 2006 vítima de espancamento. O serralheiro estava em um bar no Parque São Jorge quando, de acordo com Alerson, houve uma confusão e seu pai foi atingido com taco de bilhar. “Ele levou uma tacada na cabeça e teve hemorragia interna e acabou morrendo na rua mesmo. O homem que confessou que bateu nele ficou preso só um mês e agora responde em liberdade. Fico indignado com isso.”
Toda sexta-feira, o Hora da Verdade Itinerante visita um bairro diferente para ouvir reclamações dos moradores. O programa apresentado por Leandro Vaz e com comentários de Corrêa Neves Júnior começa às 11 horas.
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