Sujeira e insegurança estão entre os problemas do Parque Leporace


| Tempo de leitura: 4 min
Alambrado de um dos prédios do Parque Vicente Leporace está destruído e todo enferrujado. Este é  apenas um dos muitos problemas apontados pelos mutuários do conjunto habitacional do bairro
Alambrado de um dos prédios do Parque Vicente Leporace está destruído e todo enferrujado. Este é apenas um dos muitos problemas apontados pelos mutuários do conjunto habitacional do bairro
Na região do Parque Vicente Leporace, segundo dados da Associação de Moradores do Bairro, residem cerca de cem mil pessoas, quase um terço da população de Franca. Apesar disso, o bairro não conta com áreas de lazer. Segundo o presidente do Centro Comunitário do Leporace, Nelson da Rocha Neves, o projeto de criação do bairro prevê a instalação de mais de 17 praças com equipamentos de lazer. As áreas foram reservadas, mas as praças e parques nunca foram criados. A denúncia foi feita durante o programa Hora da Verdade Itinerante, da rádio Difusora AM, transmitido ao vivo do Leporace no dia 28 de fevereiro. 
 
O presidente disse que há mais de 20 anos luta para que as áreas de lazer sejam implantadas. “Esse é um problema muito antigo. Já reclamei para diversas administrações. Para o pessoal do Gilmar Dominici (PT), do Sidnei Rocha (PSDB) e agora para o Alexandre Ferreira (PSDB), mas nada foi feito.” 
 
Sem a criação das praças, os terrenos reservados acabaram se tornando um problema. “São puro matagal. Poderiam ser usados para o bem da população, mas só trazem problemas”, disse o presidente.
 
Além da não implantação das praças, representantes do Centro Comunitário e a Associação de Moradores ainda disseram que a única área de lazer criada, que fica ao lado da UBS do Leporace, está abandonada. “A Prefeitura não faz a manutenção. Lá, é puro mato. A iluminação está precária, não tem como frequentar aquele local.” 
 
A falta de limpeza de terrenos foi outra queixa registrada. Morador há mais de 20 anos no bairro, o aposentado Vitor Silva disse que não aguenta mais conviver com os animais peçonhentos que invadem sua casa na rua Rosana Pop Noberto. “Já reclamei para a Prefeitura, para a Secretaria de Obras e até para empresa de lixo, mas ninguém faz nada. Me sinto esquecido.” 
 
Também no programa Hora da Verdade os moradores pediram mais segurança. Segundo o presidente do Conseg (Conselho Municipal de Segurança) do bairro, Antônio Carlos Lima, faltam viaturas para fazer o patrulhamento do bairro. “Principalmente aos finais de semana. Como não há muitas opções, os jovens costumam se aglomerar na avenida principal do bairro. Vem gente de outras regiões da cidade e vira uma grande confusão.” Ele também disse que o tráfico de drogas na região vem crescendo e que é preciso uma medida por parte das autoridades. “Esse é um problema sério e que precisa ser discutido e combatido. Precisamos de mais apoio.”
 
Predinhos
Os inúmeros problemas enfrentados pelos moradores dos prédios que compõem o Conjunto Habitacional do Leporace também foram denunciados. Mesmo as unidades que passaram pela revitalização já apresentam rachaduras e problemas como a falta de equipamentos de segurança adequados. 
 
Uma dona de casa que pediu para não ser identificada disse que no prédio onde ela mora com a família a situação é caótica. “Eu me mudei para cá há alguns anos e descobri que sequer temos tampa nas caixas d’água. Eu mesma tive que subir e instalar uma lona provisória para tentar diminuir a contaminação.” 
 
Ela disse que diversos apartamentos no prédio apresentam rachaduras nas paredes. “Tem imóveis onde as rachaduras estão com mais de um centímetro. A gente morre de medo de isso ser sinal de algo mais sério. Os técnicos vêm, olham e não fazem nada.”
 
Para ela, antes de começar as obras de revitalização, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano), responsável pela construção dos prédios, deveria se preocupar em consertar a estrutura das unidades. “Temos problemas muito mais sério do que a pintura do prédio.” A dona de casa chegou a escrever uma carta para a empresa narrando todos os problemas encontrados, mas disse que em nenhuma das vezes obteve resposta. 
 
Drama
O pespontador Alerson Renovato Oliveira, 34, é um dos moradores que levaram seus dramas aos microfones da Difusora durante o programa Hora da Verdade no Leporace. Ele pediu ajuda de um advogado para conseguir a prisão do assassino confesso, segundo ele, de seu pai. Nelchiades Palma de Oliveira tinha 56 anos e morreu em maio de 2006 vítima de espancamento. O serralheiro estava em um bar no Parque São Jorge quando, de acordo com Alerson, houve uma confusão e seu pai foi atingido com taco de bilhar. “Ele levou uma tacada na cabeça e teve hemorragia interna e acabou morrendo na rua mesmo. O homem que confessou que bateu nele ficou preso só um mês e agora responde em liberdade. Fico indignado com isso.”
 
Toda sexta-feira, o Hora da Verdade Itinerante visita um bairro diferente para ouvir reclamações dos moradores. O programa apresentado por Leandro Vaz e com comentários de Corrêa Neves Júnior começa às 11 horas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários