Sem flores


| Tempo de leitura: 1 min
O 8 de março é data política, escolhida para reflexão sobre a situação e papel da mulher na sociedade. Não é data para receber ou oferecer flores, bombons, dicas de maquiagem ou tapete vermelho. A data foi escolhida oficialmente em 1975 pela Organização das Nações Unidas e não tem nada a ver com incêndio em fábrica americana como acreditamos durante tanto tempo. Integra diversas frentes de lutas e conquistas que vão do direito ao voto à igualdade por salários iguais para funções iguais (https://periodicos.ufsc.br/index .php/ref/article/view/9640/8870), passando, no caso do Brasil, a instituição de leis, como a Lei Maria da Penha (nº 11.340, de 7/08/2006). 
 
Avanços são registrados como o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho com carteira assinada, passando de 34,7% em 2003 para 44,5% em 2012 (IBGE, 2013). Por outro lado, ainda somos vítimas de violência, simplesmente pelo fato de sermos mulher. Recentemente, fomos surpreendidas por uma multinacional de esportes que se achou no direito de estilizar camisetas ressaltando o corpo da mulher brasileira. Pressão do governo e diversas frentes feministas fez com que a empresa recuasse. É situação inadmissível como disse a Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria das Mulheres: ‘constitui-se não só em ofensa ao país, a brasileiras e brasileiros, como também, crime contra toda a humanidade. Joga seres humanos e, em especial, as mulheres num estágio de barbárie por meio da predação sexual que a conexão com o turismo sexual estimula e propaga. Desrespeita e agride o país ao repor imaginário que tanto lutamos para sepultar definitivamente’. Vê-se, portanto, que a luta feminina e feminista é abrangente e contínua — lutamos por educação inclusiva, autonomia econômica, participação política. Esta última ‘bandeira’, aliás, muito mais importante para nós em 2014 do que qualquer outra.
 
Soraia Veloso
Docente da Universidade Federal de Uberlândia

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários