Famoso escritor irlandês e adepto fervoroso da ‘arte pela arte’, Oscar Wilde foi também o criador do ‘Esteticismo’, que procurava defender a beleza, o prazer e a felicidade como forma de vida.
Era contista, mas seu único romance, O retrato de Dorian Gray, consagrou-o na literatura, e ninguém se esquece de que ele também foi celebrado poeta e autor teatral.
No romance, publicado em 1891, pretende que só as máscaras dizem a verdade e a natureza imita a arte. Pois bem.
Wilde cultua a temática da busca permanente pela eterna juventude, e seu personagem, Dorian Gray — cujo retrato, aliás, é o personagem-título —, ao ser informado que perderá a beleza com a mocidade, mas a pintura o mostrará belo e jovem para sempre, diz que dará até a alma para que o retrato envelheça e que ele seja mantido jovem, no que é, metaforicamente, atendido.
São razões para que apreciemos o que escreve Luiz Felipe Pondé, na Folha de S. Paulo, edição de 03/12/2013, apresentando um paralelo entre a ficção de Wilde e o que ocorre atualmente com a sociedade, que se vê em busca incessante pela eterna juventude e beleza.
Cirurgias várias, frequência às academias, consumo inconsequente de artigos de moda. Destaca o cronista o ridículo a que se expõem pessoas idosas, na desesperada tentativa de se aparentarem jovens.
Que se mantenha o corpo saudável, instrumento imprescindível do espírito em evolução, mas, o exagero e o grotesco hão de ser evitados. Roupas inapropriadas para a idade, linguajar dos jovens, esportes incompatíveis. Não nos iludamos.
A lei é implacável e exige que a matéria de que se constitui nosso corpo transforme-se para purificar-se, substituindo valores. Cuidemos da saúde, mas a elevação do espírito há de ser a nossa preocupação primária. Que a ‘plástica’ espiritual seja o nosso empenho moralizador. O bem é a luz que aformoseará nossas almas para a Eternidade.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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