A Presidente Dilma viajou a Bruxelas na última semana de fevereiro. O propósito declarado era avançar nas negociações destinadas a facilitar e incrementar as relações comerciais entre nosso país e a União Europeia. No encontro, a 7ª Cúpula Brasil-União Europeia, embora não tivesse mandato para falar em nome do Mercosul, alimentou a expectativa que o acordo de livre-comércio do bloco sul-americano com os 28 países integrantes do grupo europeu, em discussão há mais de década, também entrasse na pauta do encontro.
Em 2013, o Brasil exportou para a UE, US$ 47,8 bilhões (19,7% do total), e as importações somaram US$ 50,7 bilhões, resultando em déficit de US$ 3 bilhões. Tanto a CNI como a CNA, também presentes, pressionaram para que um acordo fosse assinado o quanto antes. Mas, nada disso aconteceu. Nossa Presidente preferiu dar lições de política econômica aos europeus a cuidar diretamente do passo à frente que tanto necessita nossa (combalida) economia. Amarrada a compromissos do Mercosul e, por tabela, às conveniências da Argentina, nossa Presidente não foi adiante na defesa dos legítimos interesses nacionais.
Então, é de se perguntar: por que esse ‘atrelamento’ a uma união que não nos tem trazido nem vantagens, nem progresso na integração mundial, que não avança em termos econômicos, servindo apenas para manobras políticas de efeito duvidoso, como a punição ao Paraguai e o ingresso da Venezuela entre os países membros? Nesse ‘ata-e-não desata’, a Argentina cuida dos seus interesses e impede o progresso dos demais membros, em particular, e da América do Sul, como um todo. O Brasil, pela importância estratégica de sua economia no continente e liderança que, por dever e méritos, deve exercer, precisa tomar a iniciativa. Por timidez ou por enganos políticos, estamos perdendo oportunidades que a economia mundial nos oferece.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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