A sessão da Câmara desta quinta-feira pós-Carnaval foi um verdadeiro bombardeio dos vereadores contra o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). As críticas começaram logo cedo, antes mesmo da visita da secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, e se estenderam por toda a tarde. Até a base aliada usou a tribuna para criticar a atual administração. Resultado: dois vetos derrubados por unanimidade. Os vereadores ainda mandaram um recado: só aprovaram as contas da Prefeitura de 2011 porque pertenciam ao ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Se fossem da atual administração, o resultado poderia ser outro.
Quem puxou a fila das críticas foi o pastor Otávio (PTB). Primeiro a usar a tribuna, aproveitou para defender uma moção de aplausos à Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e à CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) pela luta para a volta das vagas de estacionamento no Centro da cidade. “É legítima essa reivindicação. Tem ruas em que não se justifica esse corte. Infelizmente, quem tem que se sensibilizar é o prefeito. Como vereadores, não podemos mudar isso, mas fica aqui nosso apelo.” E continuou: “O prefeito fala que está estudando a volta das vagas, mas não apresentou nenhum resultado. Dizer que está estudando é a resposta de quem não quer fazer nada”.
Pastor Otávio foi seguido por Luiz Carlos Vergara (PSB). “Esse prefeito é totalmente incapaz. Ele será o nosso Celso Pitta (em referência ao ex-prefeito de São Paulo, eleito graças ao apoio de seu antecessor, Paulo Maluf). Vai entrar para a história como o pior prefeito de Franca”, disse.
Ao comentar as últimas entrevistas concedidas por Alexandre, Vergara disparou: “Calado ele já é ruim, falando ele consegue ser pior. O prefeito devia usar seus conhecimentos como veterinário para acabar com os insetos do Pronto-socorro Infantil, em vez de ser irresponsável, dando declarações inverídicas.”
As críticas foram interrompidas pela chegada da secretária de Saúde, mas continuaram na segunda parte da sessão, à tarde. Na discussão da aprovação das contas de 2011, Valéria Marson (PSDB) foi dura. “O Alexandre disse por aí, em uma reunião, que não precisa do Sidnei Rocha. Acho engraçado falar isso, porque todas as obras que ele inaugurou até agora foram heranças do governo Sidnei.” Ela também criticou a postura do prefeito de constantemente desautorizar seus subordinados. “A gente percebe a insegurança dos secretários. Dá até dó.”
Outro a não poupar o prefeito foi Daniel Radaeli (PMDB). “Há um ano e dois meses vivemos um período de intransigências. Ele (o prefeito) não ouve ninguém. Gostaria de ser convocado para uma reunião no Paço Municipal em que, ao invés de falar, o Alexandre nos ouvisse, afinal, somos nós que representamos a população.”
Até o vereador Laercinho (PP), que normalmente costuma votar a favor do governo, surpreendeu. “Eu não costumo derrubar vetos. Mas hoje especialmente vou ter de votar contra o prefeito. Ele tinha a bola para fazer o gol, mas preferiu vir com desculpas esfarrapadas”, disse ao comentar seu voto pela derrubada do veto ao projeto de autoria dos vereadores Márcio do Flórida (PT) e Donizete da Farmácia (PSDB) que prevê a isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para doentes com câncer. O veto do prefeito foi derrubado por unanimidade.
Os vereadores derrubaram ainda o veto sobre o projeto que prevê o fornecimento de alimentação escolar especial para alunos diabéticos e obesos.
Todos os requerimentos pedindo explicações sobre atendimentos no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e no Pronto-socorro Infantil também foram aprovados.
Nenhum dos vereadores subiu à tribuna para defender Alexandre Ferreira. O único que tentou foi o presidente Jépy Pereira (PSDB). Diante das críticas à Rede Municipal de Saúde, disse que a realidade que encontra nas ruas de Franca é muito diferente da descrita pelos colegas. De pronto, foi rebatido por Valéria Marson. “O senhor não deve estar falando de Franca, mas de Buenos Aires”, disse ela em referência à recente viagem de Jépy para a Argentina.
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