Propaganda fora de hora


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O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vem usando um estratagema bastante comum em diferentes administrações para tentar encobrir os problemas que assolam a cidade: a publicidade. 
 
A prática se verifica no governo federal, para o qual as ações de marketing e propaganda tornaram-se a principal arma para tentar mostrar à população brasileira que tudo está bom, quando se sabe que a história é bem diferente.
 
Em Franca, depois das mortes verificadas nos dois primeiros meses do ano relacionadas ao atendimento público de saúde, a Prefeitura lança mão de números e estatísticas para tentar mostrar que tudo corre bem no setor, mas sem esclarecer as dúvidas que pairam sobre os calvários que antecederam as mortes de Luara Prieto, 25, e de Clésia Novais, 31.
 
Fica a cada dia mais evidente que a situação não está tão tranquila quanto o Executivo Municipal tenta demonstrar. Reportagem exclusiva publicada na edição de terça-feira, 4, deste Comércio, aponta que baratas, pombos, ratos, aranhas e escorpiões estão ameaçando pacientes e funcionários do Pronto-socorro Infantil e do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial). 
 
E o que é pior: as acusações contra a Rede Pública de Saúde de Franca não partem de opositores ou de pacientes descontentes com o atendimento, mas dos funcionários das duas unidades e do diretor da Divisão de Prontos-socorros da Prefeitura, Ricardo Veríssimo Júnior. Este, inclusive, pediu a interdição do Pronto-socorro Infantil por falta de condições sanitárias.
 
Mais uma vez, como já frisamos aqui neste mesmo espaço, diante desta grave situação, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, voltou a agir como Rolando Lero, personagem de um antigo programa de humor da Rede Globo de Televisão: em vez de assumir a sua responsabilidade, relativizou os problemas e culpou o clima e os vizinhos pela presença dos animais.
 
Todas as denúncias estão oficializadas em documentos trocados entre o diretor dos Prontos-socorros e a secretária de Saúde, e também em um abaixo-assinado subscrito por 28 funcionários - entre médicos, enfermeiros e técnicos - do Pronto-socorro Infantil. 
 
Ao buscar, através de publicidade, tentar apresentar a Saúde Pública do município como de excelência, a Prefeitura impinge aos francanos uma propaganda extremamente fora de hora. Está na hora da administração municipal assumir as suas responsabilidades e buscar resolver estes sérios problemas. 
 
Pacientes e servidores não podem continuar frequentando um local que é verdadeiro atentado à saúde pública. A Prefeitura precisa considerar essa situação prioritária e encontrar meios de resolver imediatamente o caso de infestação no Pronto-socorro Infantil e NGA. É preciso fazer o que é certo. É preciso fazer o que é necessário. E é preciso fazer o mais rápido possível. 
 
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