Pronto-Socorro Infantil e NGA continuam infestados de pragas


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Barata passeava pela calçada do NGA, na tarde de ontem. A situação absurda, para a Vigilância Sanitária, não oferece risco à saúde
Barata passeava pela calçada do NGA, na tarde de ontem. A situação absurda, para a Vigilância Sanitária, não oferece risco à saúde
Um dia após denúncia publicada com exclusividade pelo Comércio, baratas e pombos continuavam dividindo espaço com funcionários e pacientes do PSI (Pronto-socorro Infantil) e do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial). Ontem, frequentadores das duas unidades de saúde disseram estar amedrontados com a possibilidade de contraírem doenças transmitidas pelas pragas. Já a Vigilância Sanitária Municipal, que vistoriou o prédio na tarde de quarta-feira, afirmou que a saúde das pessoas não corre risco. Mas a opinião do diretor da Divisão de PSs, Ricardo Veríssimo Júnior, é totalmente contrária. Em ofício à Secretaria de Saúde, em janeiro, ele afirmou que é “iminente” o risco de transmissão de doenças por causa da presença dos animais. Também ontem, apesar de dizer em nota que há “condições normais de atendimento” no PSI, a Prefeitura anunciou medidas a serem tomadas imediatamente e reiterou que irá reformar o prédio. Mas, mais uma vez, não deu prazo para o início das obras.
 
Na última terça-feira, o Comércio publicou cópia do ofício, de 14 de janeiro, em que o diretor da Divisão de PSs, relatando a presença de baratas, pombos e vermes no PSI e NGA, pede a interdição do local por falta de condição sanitária. No ofício, Veríssimo afirma que o prédio apresenta “odor fétido causado por fezes de pombos; pombos mortos no forro em processo de putrefação; baratas e vermes; escorrimento de água pútrida do forro para o interior do prédio”. 
 
A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, respondeu quase um mês depois. No documento, ela diz que a presença de bichos no prédio é ocasionada pelos restos de comida produzidos pelas lanchonetes que ficam em frente ao Complexo do PSI e NGA, além do calor e obras nas proximidades.
 
O Comércio teve acesso ainda a um abaixo-assinado, de 15 de fevereiro, com 28 assinaturas de médicos, enfermeiros, técnicos entre outros funcionários do PSI. O documento relata os mesmos problemas do ofício do diretor, além de expor o risco de infecção cruzada e constantes roubos, furtos e ameaças aos funcionários.
 
Um dos servidores afirmou à reportagem que, há 15 dias, um rato apareceu na sala de espera do NGA e causou um alvoroço entre os pacientes que aguardavam atendimento. Outro contou que diariamente precisa visitar as salas do PS Infantil para matar as baratas antes de as consultas começarem.
 
Cobranças
O vereador Luiz Vergara (PSB), membro da comissão de Saúde da Câmara, protocolou ontem três requerimentos que serão enviados à secretária da Saúde, ao diretor dos PSs e ao presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Franca e Região, Luís Fernando Nascimento, pedindo explicações. Os pedidos devem ser votados na sessão de hoje da Câmara. “Falta humildade ao prefeito. Ele precisa ouvir as pessoas e a Câmara de Vereadores, que tem obrigação de contribuir com sua administração que vai muito mal. A falta de controle de atos administrativos é patente e o prefeito vai perdendo sustentação de setores importantes, como as lideranças empresariais, a classe política e até mesmo do funcionalismo público, como ocorre na Saúde”, disse Vergara. “Como administrador, e antes de tudo médico veterinário, ele já deveria ter resolvido a questão do PSI e do NGA, que segundo denúncia dos próprios gestores da saúde está infestado de animais e insetos, que colocam em risco os usuários.”
 
O vereador Márcio do Flórida (PT), em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Difusora, na terça-feira, disse que a situação “já ruim” da Saúde em Franca “piorou ainda mais”. “A notícia não é grave, é gravíssima. É inadmissível pensarmos que nossas crianças estão sendo atendidas nessas condições, junto com animais peçonhentos.”
 
Já a vereadora Valéria Marson (PSDB), do mesmo partido do prefeito Alexandre Ferreira, falou ao Hora da Verdade ontem. “Ficamos atônitos pensando como estarão as outras áreas, se a saúde está assim. Isso tudo faz parte de uma centralização do prefeito de todos os problemas no gabinete (...) Quando você delega poderes, você tem resultados. E o que a gente percebe é que todos estão de mãos amarradas.”
 
O promotor de Justiça Eduardo Tozzi, da Comissão de Saúde do Ministério Público Estadual, disse que tomou conhecimento das denúncias do Comércio ontem e que irá estudar o caso. 
 
Já o conselheiro responsável pela delegacia de Franca do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), Lavínio Camarim, não foi encontrado ontem para falar sobre o assunto. Ele não atendeu às diversas ligações feitas a seu celular nem respondeu ao recado deixado com o atendente do Cremesp.
 
Medo
Segundo o chefe da Vigilância Sanitária (órgão subordinado à Secretaria Municipal de Saúde), José Conrado Dias Netto, uma equipe fez ontem uma vistoria no Complexo e não encontrou situações que colocassem os pacientes em risco. Mas não era essa a sensação de usuários e funcionários. O Comércio também esteve na tarde de quarta-feira no PSI e NGA, e voltou a encontrar baratas e pombos no local. “Sei que esses bichos transmitem doenças, mas eu não tenho mais aonde levar minha filha”, afirmou a aparadeira Gisele Silva ¶ngelo. Já a comerciante Rosania Urbano disse ter encontrado uma barata no banheiro do NGA. “Hoje (ontem) mesmo me assustei ao encontrar uma barata.”
 
Os funcionários do PSI e do NGA também temem a convivência com as pragas. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais enviou ofício à secretária Rosane, em 13 de novembro de 2013, informando sobre os mesmos problemas relatados pelo diretor dos PSs e que continuam até hoje. O presidente do Sindicato disse que, se a situação não for resolvida, irá acionar o Ministério Público do Trabalho, pelas condições “insalubres” a que estão sendo submetidos os servidores do NGA e PSI.
 
‘Condições normais’
A Prefeitura divulgou uma nota ontem informando que “a Vigilância Sanitária iniciou uma minuciosa inspeção nas instalações, que, preliminarmente, assegurou condições normais de atendimento”. Mas, mesmo descartando “preliminarmente” os problemas relatados por funcionários, sindicato, pacientes e até mesmo pelo diretor dos PSs, o município anunciou algumas medidas. “A Divisão de Manutenção da Secretaria de Saúde deverá iniciar, imediatamente, reparos preventivos na unidade”, diz a nota.
 
Ainda no texto, a Prefeitura afirma ter autorizado a reforma do prédio do antigo PS “Janjão” para abrigar o PSI. O “Janjão” atualmente é ocupado por UBSs que passam por reformas. O texto não informou, porém, quando o prédio será liberado e quando a reforma do PS Infantil irá começar. A Prefeitura também não se posicionou sobre a situação do NGA nem comentou o pedido de interdição do PSI feito pelo diretor dos PSs.

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